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TERRA - Afetado pela crise financeira mundial, o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio caiu 0,88% em outubro de 2008 com relação ao mês anterior, informou nesta quinta-feira a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A cifra é o primeiro resultado negativo desde junho de 2006, quando o PIB teve recuo de 0,148%.
A CNA estima que em novembro e dezembro os resultados podem ser ainda piores. No acumulado do ano, divulgou a CNA, o setor agrícola segue impulsionado pelos segmentos de insumos e produção primária, totalizando crescimento de 5,81%. O agronegócio da pecuária cresceu 0,44% em outubro, atingindo alta de 8,56% no ano.
- Estamos bastante preocupados com essa questão do PIB. Não queremos fazer alarde ou dizer que estamos perto de uma recessão. Isso se trata de um sinal vermelho, um alerta de que a desaceleração já iniciou - comentou a presidente da CNA, a senadora Kátia Abreu.
De acordo com o Ministério da Agricultura, projeções dão conta de redução de 23% nas exportações em um cenário mediano, queda de 8% em uma perspectiva otimista e 36% e um panorama pessimista.
- O que nos preocupa é o crédito. Não estamos alarmados em relação a preço. Como reduzir o risco para os agricultores (agricultores ainda amargam perdas em safras anteriores) e alcançar os recursos? E o que fazer com os custos de produção, que estão caindo, mas não na mesma velocidade que os preços? Já temos problemas de sobra para a safra de 2009-2010 - declarou.
A senadora aproveitou para cobrar do governo mais programas de garantia de preço, como seguros, uma vez que o agronegócio representa 27% da mão de obra economicamente ativa no País.
- Não podemos ficar apenas acendendo vela para o preço das commodities subir e para o dólar ainda possa compatibilizar e possa ficar em um patamar de menos insegurança. Só queremos que o governo observe que o agronegócio não é uma coisa mais do José, da Maria, do Pedro e do João. É uma questão de Estado. Estamos cansados de ser a ancora verde e o carro desse governo e não ter (remuneração). Queremos ter um mínimo adequado de nossos custos de produção - disse.
Com base nos dados de outubro, Kátia Abreu afirmou que será de cerca de R$ 685 bilhões o PIB do agronegócio para 2008 até outubro, o que equivale a uma alta de 6,6% diante do mesmo período de 2007.
Para 2009 ainda não há perspectivas disponíveis apesar de, apenas em relação ao risco para os agricultores, Abreu avaliar que 40 milhões de t de grãos na região Centro-Oeste podem estar ameaçados. As tradings, que contam com recursos internacionais e fornecedores brasileiros, disse a senadora, já sinalizam redução de até 50% em relação a seus empréstimos.