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Volks vende a fábrica de Resende por R$ 3,7 bilhões

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Jornal do Brasil

RIO - A montadora alemã Volkswagen anunciou nesta segunda-feira a venda da fábrica de caminhões de Resende, instalada em 1996, para o também alemão MAN AG, grupo especializado na fabricação de veículos utilitários. A incorporação da Volkswagen Caminhões e Ônibus, por R$ 3,7 bilhões, em nada altera, no entanto, os planos da empresa, conforme asseguraram executivos das duas empresas durante o anúncio do negócio, nesta segunda-feira. Em encontro com o governador Sérgio Cabral e o secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro, Júlio Bueno, os mesmos executivos prestaram informações sobre a transação e informaram que está mantido o plano, em curso, de ampliar a produção de 35 mil para 50 mil veículos/ano, com investimento da ordem de R$ 1 bilhão.

De acordo com Hákan Samuelson, presidente executivo da MAN que veio ao Brasil para o anúncio, a operação não tem qualquer relação com a crise financeira mundial.

É uma decisão estratégica. Queremos entrar nesse mercado afirmou.

Da mesma forma, segundo o executivo, a conjuntura de desvalorização do real, favorável às exportações, não influiu na concretização do negócio:

Quando se fala em estratégias de longo prazo, não se pode levar em conta situações de curto prazo, como o câmbio disse Samuelson.

Em entrevista concedida em São Paulo, Samuelson destacou que a MAN pode abrir outros mercados para as exportações da Volkswagen Caminhões, assim como complementar sua linha de produtos. Ao explicar o negócio, foi suscinto:

Temos que crescer, e a Europa tem potencial limitado para isto explicou o presidente da MAN.

Produção aumenta

O presidente da Volkswagen Caminhões, Roberto Cortes, fez questão de assegurar que o negócio não implicará qualquer corte dos empregos nos próximos cinco anos. O negócio, pelo contrário, envolverá a expansão da fábrica:

O reflexo desse negócio será a expansão natural do volume de produção e vendas. Por isso, de forma alguma será afetado o atual nível de empregos disse.

Atualmente, em Resende, a empresa emprega 5 mil pessoas dentro do sistema de consórcio modular. Desse total, 600 pessoas são empregadas diretas da Volkswagen.

A Volkswagen Caminhões e ônibus funciona no município de Resende desde 1996, recebendo como incentivo fiscal financiamento de parcela do ICMS que deveria ser recolhido com as vendas, com juros fixos, sem correção monetária e carência de dez anos para pagamento, até o limite de R$ 80 milhões.

O Governo estadual, segundo o secretário de Desenvolvimento, Júlio Bueno, e o presidente da Codin, Fernando Barros, recebeu bem a notícia, embora apanhado de surpresa pelo anúncio da operação. Ambos destacaram que o Rio tem interesse em atrair fornecedores para fortalecer a cadeia automotiva no Estado, o que será facilitado pelo know how específico da MAN, um dos líderes europeus na fabricação de veículos comerciais. Bueno destacou que, com a incorporação pela MAN, cresce a importância relativa da fábrica de Resende.

A transferência de controle é quase o que se chama no mercado de operação intercompany, uma vez que a a Volkswagen AG, da Alemanha, que controalava a Volkswagen Caminhões, de Resende, é a maior acionista da MAN, com 29,9% de seu capital votante. A empresa, entretanto, decidiu dedicar-se prioritariamente à sua atividade principal, a produção de automóveis e veículos comerciais leves, deixando a produção de equipamentos pesados a cargo da MAN.

A marca Volkswagen Caminhões e Ônibus vai ser mantida, como uma divisão da MAN. Até agora, a produção da empresa tem sido de 47 mil veículos, 40% dos quais destinados à exportação.