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Montadoras nos EUA elevam cautela na Ásia; Xangai sobe

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SÃO PAULO, 19 de novembro de 2008 - Com exceção de Xangai, onde as ações de refinarias lideraram as altas na sessão, as bolsas da Ásia fecharam em queda nesta quarta-feira, com os investidores da região temerosos diante dos sinais de que a crise no sistema financeiro mundial está impactando a economia real.

Executivos de três grandes montadoras norte-americanas alertaram ontem o Congresso dos Estados Unidos, informando que suas fábricas oscilam à beira de um desastre. As companhias solicitaram a aprovação de um pacote de ajuda de US$ 25 bilhões para o setor, apesar da oposição política a um novo plano de resgate multibilionário do governo.

Rick Wagoner, presidente da General Motors (GM), afirmou que a proposta "visa salvar a economia dos EUA de um catastrófico colapso". "Enquanto a indústria automobilística doméstica cometeu erros no passado, os problemas atuais foram exacerbados por uma das piores crises econômicas em quase três décadas", disse Alan Mulalluy, CEO da Ford Motor.

Robert Nardelli, presidente da Chrisler LLC, informou que a montadora tomaria cerca de US$ 7 bilhões do pacote de US$ 25 bilhões, enquanto a GM receberia entre US$ 10 bilhões e US$ 12 bilhões. Já a Ford teria entre US$ 7 bilhões e US$ 8 bilhões.

Entre os principais índices da Ásia, o índice Nikkei 225 de Tóquio caiu 0,66%, para 8.273,22 pontos. Destaque no pregão para as ações do setor bancário. Os papéis do Mitsubishi UFJ Financial, maior banco do Japão, recuaram 6,07%, refletindo a queda de 64% no lucro líquido entre abril e setembro de 2008, ou primeiro semestre fiscal da companhia.

Os títulos do Sumitomo Mitsui Financial Group (SMFG) perderam 7,92% após a entidade anunciar que pretende aumentar seu capital em aproximadamente 284 bilhões de ienes (US$ 2,9 bilhões) por meio da venda de ações preferenciais. Entre outros bancos nipônicos, as ações do Mizuho Financial diminuíram 7,53%.

A indústria automotiva japonesa também sofreu perdas, afetada pela crise do setor nos Estados Unidos. Os papéis da Mazda caíram 1,09%, influenciados pela notícia de que a montadora recomprou hoje 6,8% de suas próprias ações da Ford, por 17,8 bilhões de ienes (US$ 184 milhões). Entre outras companhias, os títulos da Honda e Nissan perderam 0,97% e 2,81%, respectivamente.

Apesar da desvalorização da moeda japonesa ante o dólar, que torna os produtos nipônicos mais competitivos no mercado internacional, as ações de companhias exportadoras sofreram perdas, prejudicadas pelos temores de uma possível desaceleração na economia mundial.

Em Tóquio, a divisa norte-americana encerrou o dia cotada a 96,68 ienes, contra 96,50 ienes da última sessão. No setor de tecnologia, por exemplo, os papéis da Canon recuaram 0,36%, enquanto os da Sony apontaram baixa de 2,74%.

Entre outros mercados da Ásia, o índice Kospi de Seul recuou 1,86%, para 1.016,82 pontos. Já em Hong Kong, o indicador referencial Hang Seng apresentou baixa de 0,25%, para 12.883,36 pontos.

Na China, o índice Xangai Composto subiu 6,05%, para 2.017,47 pontos, impulsionado pelas ações de refinarias, principalmente após a imprensa local informar que o governo chinês deverá elevar os impostos sobre os preços dos combustíveis, o que aumentará as margens de ganhos das companhias. Os títulos da Sinopec e PetroChina, por exemplo, terminaram o dia com ganho de 5,26% e 7,49%, respectivamente.

(Marcel Salim - InvestNews)