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ASSUNÇÃO - Funcionários da hidrelétrica de Itaipu destruíram documentos que poderiam comprovar casos de corrupção no governo anterior do Paraguai, disse nesta segunda-feira o diretor paraguaio da usina, Carlos Mateo.
O Paraguai administra em conjunto com o Brasil a usina sobre o rio Paraná, que produz anualmente 90 milhões de megawatts-hora, divididos em partes iguais.
O presidente paraguaio, Fernando Lugo, assumiu o cargo em agosto prometendo uma administração mais transparente na hidrelétrica, alvo de inúmeras denúncias de corrupção durante o governo de Nicanor Duarte.
Mateo disse que três funcionários da direção-geral paraguaia destruíram na tarde de domingo documentos que estariam vinculados à suposta utilização de verbas de Itaipu na campanha eleitoral do Partido Colorado - que manteve uma hegemonia política de décadas no país, até ser derrotado em abril por Lugo.
- Entraram funcionários em horários que não são normais para realizar uma operação que sob nenhum ponto de vista é normal: a queima de documentos originais da binacional - disse Mateo à TV local SNT.
Imagens exibidas pelo canal mostraram papéis queimados e picados junto a pastas e álbuns de fotos do Partido Colorado, que também deveriam ser destruídos, dentro de um depósito de documentos no escritório de Itaipu, em Assunção.
- Resgatamos alguns documentos e papéis destruídos que evidenciam que eram ordens de pagamento e pedidos de gente vinculada ao regime anterior -disse o funcionário.
É a segunda vez que o atual governo denuncia a destruição de arquivos em Itaipu. Em agosto, dias antes de assumir a direção, Mateo alertou para uma surpreendente transferência de documentos contábeis, justamente quando o Ministério Público iniciava uma investigação sobre a utilização de verbas destinadas à área social.