Crise mostra face no sul da Europa

Ubirajara Loureiro, Jornal do Brasil

RIO - O governo de Portugal estatizará o Banco Português de Negócios (BPN), informou ontem o ministro das Finanças Fernando Teixeira dos Santos. A estatização do banco, que não é listado na bolsa, é considerada o primeiro indício de que a crise financeira global começa a atingir instituições financeiras de pequeno porte no sul da Europa.

Vitor Constâncio, presidênte do Banco de Portugal, que exerce as funções de banco central, disse durante entrevista coletiva conjunta concedida ao lado de Teixeira dos Santos que, apesar da estatização, o país não atravessa problemas de solvência.

Em entrevista à TV portuguesa, Teixeira dos Santos comentou que o BPN atravessava problemas de liquidez e suas perdas eram da ordem de 700 milhões de euros.

O BPN é o menor banco de varejo de Portugal. Seu patrimônio é de 8 bilhões de euros. O banco tem 200 agências em Portugal e na França.

Teixeira dos Santos explicou que o Executivo se viu obrigado a propor a estatização porque a entidade enfrentava uma "iminente moratória" pelos 700 milhões de euros de perdas e a aprovação de medidas para pagar provedores do Estado uma dívida atrasada de 2,45 bilhões de euros.

Com a estatização, o governo português espera assegurar aos clientes do banco que "seus depósitos estão seguros", disse Teixeira dos Santos. O processo será conduzido por dois interventores do governo, explicou ele.

Recentemente, Portugal aprovou a criação de um fundo de até 20 bilhões de euros para dar liquidez aos bancos do país para ajudá-los a atravessar a crise financeira global.

O governo luso injetará de imediato 4 bilhões de euros no sistema bancário português para reforçar a solidez das instituições financeiras, também anunciou o ministro das Finanças , Fernando Teixeira dos Santos.

Após reunião extraordinária do Conselho de Ministros , Teixeira dos Santos justificou a medida como uma forma de "estabelecer um mecanismo de apoio aos bancos em sua tentativa de reforçar a solidez financeira".

A medida anunciada ontem segue a lei aprovada pelo Parlamento luso em 20 de outubro, que dá ao Estado direito de transferir fundos para os bancos por um valor de até 20 bilhões de euros.

Teixeira dos Santos esclareceu, além disso, que o presidente do Banco Central de Portugal , Vítor Constancio, exigirá das entidades financeiras lusas, como contrapartida, que mantenham um nível de solvência correspondente a 8% de seus fundos próprios.

Isso obrigará as instituições a reforçarem a solidez financeira disse Teixeira dos Santos, ao lembrar que a medida é similar às tomadas em outros países da União Européia.

Paralelamente, o primeiro-ministro britânico Gordon Brown pediu ontem financiamento adicional para que o Fundo Monetário Internacional possa escorar as economias em dificuldades. Em Riad, Brown disse que os Estados petrolíferos do Golfo e a China precisam contribuir com o FMI, para que este empreste a países que correm o risco de colapso financeiro.

Se quisermos impedir que a crise se espalhe, precisaremos de uma política de seguro global melhor para ajudar as economias com problemas disse Brown.

Por isso estou pedindo mais recursos para o FMI além dos US$ 250 bilhões que o Fundo já tem disponíveis para emprestar aos países em risco de colapso econômico disse Brown, pioneiro na adoção de medidas estatais contra a crise.

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