Na avaliação de Miriam Tavares, diretora da AGK Corretora, os esforços do BC já começaram a surtir efeito e devem trazer a taxa de câmbio a R$ 1,95 no fim de 2008. Para ela, mesmo em um quadro de recessão econômica mundial, o País deve crescer perto de 3% no próximo ano, favorecido pelos fundamentos macroeconômicos.
Mas os dados do BC não traçam um cenário tão favorável assim. Em meio à busca desenfrenada por qualidade, os investidores estrangeiros retiraram US$ 6,1 bilhões do Brasil em outubro, até o último dia 24, via conta financeira - que contabiliza todas as operações não relacionadas com a balança comercial.
Os analistas trabalharam nesta "super-quarta" também de olho nas divulgações. Além do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) ter reduzido o juro em 0,50 ponto percentual para 1% ao ano e a taxa de redesconto para 1,25%, foi informado que os pedidos de hipotecas cresceram 16,8% na semana passada e as vendas de bens duráveis avançaram 0,8% em setembro.
Internamente, o Comitê de Política Monetária (Copom) se encontra entre a "cruz e a espada" e tem pela frente uma das mais difíceis decisões: conter as pressões inflacionárias provocadas pela disparada do dólar ou impedir uma desaceleração brusca da economia em conseqüência da crise internacional.
Apesar de a maior parte do mercado apostar que o Copom está mais sensível às restrições de liquidez global e as incertezas com o cenário econômico, alguns analistas acreditam que o BC dará prosseguimento ao ciclo de aperto monetário, embora em um ritmo mais moderado, com uma elevação entre 0,25 e 0,5 ponto percentual nos juros.
(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)