Simone, Silva Bernardino, Vanessa Correia e Déborah Costa , InvestNews
SÃO PAULO - A ação intensiva do Banco Central (BC) na ponta de venda de dólares deu resultado e a moeda norte-americano encontrou espaço para recuar após cinco sessões consultivas em alta. O dólar fechou em baixa de 1,43%, vendido a R$ 2,28. Mas ao longo do dia, a corrida desenfreada por proteção levou a moeda estrangeira a R$ 2,52 na máxima do dia.
Pela primeira vez em cinco anos, a autoridade monetária vendeu dólares de suas reservas internacionais no mercado à vista e colocou mais US$ 1,3 bilhão em swap cambial. Segundo operadores, com as operações, o BC injetou cerca de US$ 2,7 bilhões no sistema financeiro, trazendo alívio aos negócios. "A venda do BC foi acertada. O mercado estava precisando de liquidez imediata", comentou um especialista, ressaltando que após os leilões, alguns exportadores entraram no mercado vendendo dólares.
Porém, a possibilidade é cada vez mais concreta de que a economia mundial esteja a caminho da pior recessão vista desde a Grande Depressão em 1929. Em apenas dois meses, o real acumula desvalorização de 58%. Somente em outubro, a baixa chega a 19,8%. Para os analistas da corretora Gradual, apenas isso basta para que a economia brasileira reviva, com todos os principais elementos, as piores crises dos anos 1980 e 1990.
- Em todas as crises, é a desvalorização cambial que leva ao aumento abrupto da inflação, à deterioração da capacidade financeira do governo e empresas, e à disparada dos juros que, adicionalmente, faz com que a percepção em relação ao risco soberano do país suba - destaca em relatório.
Com a piora do cenário, os bancos centrais de grandes economias - Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Suíça, Suécia e Zona do Euro - anunciaram redução coordenada na taxa básica de juros de 0,5 ponto percentual, para evitar os efeitos da crise que afeta o sistema financeiro global. A ação é inédita e foi feita em caráter emergencial. Em Pequim, o Banco da China também reduziu o juro em 0,27 ponto percentual, para 6,93% ao ano.
Desde o acirramento da crise, os governos mundiais tentam com todos os instrumentos evitar maiores prejuízos. Hoje, o governo britânico decidiu por uma ajuda de ¬ 200 bilhões aos bancos, seguindo o rumo trilhado pelo governo do EUA, que ofereceu ao setor financeiro US$ 700 bilhões.
BM&FBOVESPA: Depois de oscilar muito, índice cai 3,85%
Depois de registrar forte volatilidade ao longo de toda a sessão, a bolsa brasileira ensaiou uma recuperação no final dos negócios mas acabou encerrando o dia em queda de 3,85%, aos 38.593 pontos. O índice acionário da BM&FBovespa seguiu tendência externa e trocou de posição várias vezes ao dia, ora animada pelo corte de juros coordenado entre vários bancos centrais ao redor do mundo, ora temerosa de que um grande banco peça falência. O giro financeiro somou R$ 7,4 bilhões.
O dia começou tenso. Para evitar quedas bruscas nas bolsas, os bancos centrais de grandes economias - Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Suíça, Suécia e Zona do Euro - anunciaram uma redução coordenada na taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, para evitar que os efeitos da crise afete o sistema financeiro global. A ação é inédita e foi feita em caráter emergencial. Em Pequim, o Banco da China também reduziu o juro em 0,27 ponto percentual, para 6,93% ao ano.
- Os investidores entendem que foi ótimo reduzir o juro, mas a medida só será suficiente junto com outras ações, que podem restabelecer a confiança e liquidez nos mercados - destaca Jayme Alves, analista de investimentos da Spinelli Corretora.
- Havia a necessidade de uma ação conjunta. Na zona do euro, as ações estavam descoordenadas, cada banco falava uma coisa, e isso prejudicava a informação e deixava o investidor mais preocupado com a situação financeira - completa Clodoir Vieira, economista-chefe da Corretora Souza Barros.
E as notícias divulgadas durante o dia não ajudaram para uma recuperação. Enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo a previsão de crescimento para os Estados Unidos em 2009, de 0,8% - anunciado em julho - para 0,1%, a agência de estatísticas da União Européia (Eurostat) informou que a zona do euro registrou queda de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) acumulado pelo 15 países que utilizam o euro como moeda única na Europa, no segundo trimestre deste ano ante o mês anterior.
Mas, no final da tarde, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, declarou que o Tesouro está se movendo rápido para auxiliar as instituições financeiras e os contribuintes.
- Nosso corpo de autoridades irá trabalhar com um único objetivo: restaurar o fluxo de capital para os consumidores e os negócios que sustentam a economia do país.
Mesmo assim, Paulson não descartou eventuais quebras de instituições financeiras em seu país, apesar da entrada em vigor na sexta-feira passada, do plano de resgate bancário.
- Devemos reconhecer uma coisa: mesmo com as novas medidas tomadas pelo Tesouro, algumas instituições financeiras vão quebrar - alertou Paulson.
No âmbito acionário doméstico, dentre as 66 ações que compõem o Ibovespa, os principais destaques de alta foram: Perdigão ON (+6,72%), Brasil Telecom Participações ON (+5,99%) e BM&FBovespa (+5,97%). Já entre as três maiores desvalorizações estiveram Cesp PNB (-17,26%), VCP PN (-13,65%) e Nossa Caixa ON (-12,36%).
Já o Ibovespa com vencimento em outubro registrou queda de 0,61%, a 40.200 pontos, nas negociações futuras da BM&FBovespa.