Em um ato político realizado ontem na localidade de San Martín, Cristina declarou que o Produto Interno Bruto (PIB) argentino aumentou 6,5% em junho deste ano, em relação ao mesmo período do ano anterior, abaixo do ritmo que vinha crescendo, e ligou a desaceleração ao conflito agropecuário.
A paralisação dos produtores rurais na Argentina começou em março de 2008 e se estendeu por quatro meses. Os agricultores interromperam a comercialização de grãos para exportação e bloquearam estradas, provocando o desabastecimento interno.
Apesar disso, Cristina Kirchner destacou a marcha da economia, argumentando que o PIB cresceu 8,1% durante o primeiro semestre deste ano, em comparação ao mesmo período do ano anterior, e 8,5% entre julho de 2007 e junho de 2008.
Superada sua pior crise, a economia da Argentina engrenou uma vigorosa recuperação a partir de 2003, ano em que o PIB nacional registrou uma melhora de 8,8%. Desde então, esse crescimento continuou apresentando bons resultados, alcançando um pico em 2004 (9,0%) e 2005 (9,2%) e diminuindo um pouco o ritmo em 2006 (8,5%) e 2007 (8,7%).
No ato, realizado no Instituto Nacional de Tecnologia Industrial (INTI), centro de pesquisa e desenvolvimento tecnológico estatal, a presidente questionou as agências de classificação de risco, poucos dias depois da Standard & Poor's ter rebaixado a classificação da Argentina, em meio a turbulências financeiras causadas por bônus da dívida nacional.
"Querem classificar riscos e querem convencer a nós, argentinos, de que estamos com problemas", declarou. "Alguns setores do establishment financeiro internacional talvez não nos perdoem nunca por termos refinanciado a dívida (com os credores externos privados) e recuperado a capacidade de decisão", acrescentou Cristina, referindo-se à moratória da dívida argentina com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
(Redação com agências internacionais - InvestNews)