Na avaliação do pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Paulo Barreto, é preciso ´menos propaganda e mais ciência´ por parte do governo brasileiro na definição de estratégias sustentáveis de produção de cana-de-açúcar para fins energéticos.
´O governo argumenta que há poucas áreas de plantio de cana na Amazônia, isso realmente é um fato, mas é preciso considerar os efeitos indiretos, como o avanço da pecuária sobre a floresta por causa da substituição de pastagens por lavouras de cana em outras regiões do país´, apontou.
Barreto acrescentou que, se o aumento da produção de etanol for feito às custas de novos desmatamentos, o ganho ambiental pela substituição de combustíveis fósseis será reduzido. ´Estudos mostram que seriam necessários 45 anos de cultivo de cana para neutralizar as emissões causadas por esses desmatamentos. Isso destrói a vantagem comparativa do etanol e significa que, em curto prazo, gera aumento de emissões do efeito estufa.´
Já o professor da Universidade de São Paulo (USP), Marcos Buckeridge, alertou que ´a Amazônia está seriamente ameaçada sim´ se o ritmo do avanço de ´invasão´ da floresta não for compatível com o avanço nas pesquisas para aumento da produtividade dos biocombustíveis, entre eles o etanol de cana. Segundo Buckeridge, o Brasil é considerado atualmente um exemplo de sustentabilidade do ponto de vista energético, visto como a ´locomotiva energética do planeta´, mas precisa conciliar preservação e desenvolvimento tecnológico para manter essa posição.
(Redação - InvestNews)