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Mercado opera sem tendência, de olho em quadro externo

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SÃO PAULO, 5 de junho de 2008 - A agenda desta quinta-feira é relativamente tranqüila, mas o debate sobre inflação global e conseqüentemente, taxa de juros segue em foco. Ontem, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a Selic em 0,50 ponto percentual, para 12,25% ao ano criou um estimulo adicional às operações de arbitragem, reforçando a tendência de desvalorização do dólar.

O economista-chefe da Concórdia Corretora de Valores, Elson Teles, avalia que o Copom deve sinalizar na ata que a piora no cenário prospectivo para a inflação poderá requerer um ajuste total na taxa Selic superior ao imaginado inicialmente. "Acredito que o aperto monetário total será de 2,75 pontos percentuais, contando com mais três movimentos de 0,50 ponto percentual, seguidos de mais 0,25 ponto na reunião de dezembro, com a taxa básica de juros fechando o ano em 14%", projeta.

Analistas vêm projetando que no curto prazo, mesmo com o aumento das remessas de lucros e dividendos ao exterior e o recuo no saldo da balança comercial, o dólar pode chegar a algo próximo de R$ 1,50. Porém, estes profissionais alertam para sinais de desaceleração do movimento já no segundo semestre diante da deterioração do saldo das transações correntes. Há pouco, a moeda estrangeira subia 0,06%, cotada a R$ 1,630 na compra e R$ 1,631 na venda.

Os investidores também repercutem as decisões de política monetária na Europa e Reino Unido. Em linha com as expectativas e alertando para a ameaça inflacionária, o Banco Central da Europa e da Inglaterra mantiveram suas taxas de juros em 4% e 5%, respectivamente.

Nos Estados Unidos, a expectativa de que o Federal Reserve (Fed, BC dos EUA) também manterá sua taxa em 2% ao ano na próxima reunião do dia 25 ganhou forças após os comentários de Ben Bernanke, presidente da instituição. Bernanke reiterou na véspera que a inflação crescente é uma das suas principais preocupações. Isto está dando fôlego de alta do dólar no mercado internacional e limitando oscilações mais acentuadas por aqui.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)