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Crescimento em 2009 será devastador, diz Fecomercio

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SÃO PAULO, 4 de junho de 2008 - A Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) informou há pouco, em nota, que considera que o pior da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) não é apenas mais uma elevação drástica da taxa Selic, que já seria bastante negativa em si mesma para o País.

Segundo o presidente da entidade, Abram Szajman, o que mais preocupa é a expectativa de que o aperto monetário esteja apenas em seu início. "O juro de hoje representa a contração de amanhã. Este ano provavelmente a economia ainda cresce 4,5% ou 5%, mas para 2009 os efeitos tendem a ser devastadores", avalia.

Os planos de investimento de médio e longo prazo podem ser adiados diante deste cenário que se vai desenhando. "Se a Selic chegar ao patamar que se anuncia, entre 13,5% e 14% até o fim deste ano, as tendências positivas de crescimento econômico e de geração de emprego vão se dissipar", diz Szajman, alertando para o risco de abortar o ciclo virtuoso em segmentos como o automobilístico e o imobiliário.

Esses setores, segundo ele, dependem fundamentalmente das condições de prazo, geralmente longos, e de juros dos financiamentos. "A elevação da Selic não apenas aumenta o custo do dinheiro no curto prazo, mas também altera toda a curva de juros futuros por conta da mudança de expectativas dos agentes econômicos", comenta.

Segundo a Fecomercio, a entidade reconhece a forte pressão que os últimos dados de inflação exerceram sobre a decisão do Copom, mas acredita que a elevação das taxas de juros poderia ser evitada, ou circunscrita a altas menores, em um ciclo mais curto, se o governo cuidasse melhor das contas públicas. A entidade considera, ainda, pouco eficiente o aperto, dado que em grande parte as pressões inflacionárias são derivadas de aumentos de custos, como o encarecimento das commodities metálicas, petróleo e grãos, causas sobre as quais a Selic não age.

As conseqüências serão: aumento do custo de financiamento da dívida pública e uma apreciação cambial que pode levar o déficit em transações correntes para a casa dos US$ 30 bilhões neste ano. "Enquanto isto o governo, em vez de cortar seus custos, ainda aumenta os gastos de custeio. O resultado será apenas mais sacrifício para o setor produtivo e para os milhões de brasileiros que terão frustradas suas esperanças de inserção econômica e social", conclui Szajman.

(Redação - InvestNews)