Arroz foi vilão em maio, aponta Fipe

SÃO PAULO, 4 de junho de 2008 - Depois da inflação do feijão, o arroz é agora o grande vilão do paulistano, segundo o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP), professor Marcio Nakane. Em maio, o grão ficou 22,16% mais caro, o que representa uma contribuição de 14,83% para o IPC-Fipe. "Esta é o maior impacto do arroz na inflação desde o início do Plano Real, em julho 1994. Com essa taxa, o arroz ficou no topo da lista dos itens que mais aumentaram no mês passado. Já o feijão aparece na lista das maiores quedas, com deflação de 9%", ressalta o economista.

Em maio, o grupo Alimentação (3,17%) foi o principal responsável pela aceleração de 1,23% do IPC-Fipe, respondendo por 58,14% do índice. Habitação aparece em seguida (+0,74%), representando 19,76% da inflação em São Paulo - o maior patamar desde a terceira quadrissemana de setembro de 2004 (+0,82%).

Entre as maiores altas aparecem ainda energia elétrica (2,43%), por conta do repasse de PIS/Confins feito pela Eletropaulo ao consumidor, e gastos com reparo no domicílio que subiu 3,31%, refletindo a mudança na cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado pelo governo paulista que agora passa a ser tributado pela indústria.

O quinto item que mais subiu foi aluguel, com elevação de 0,57% - a mais forte desde a terceira quadrissemana de setembro de 1997 (0,65%). "Em mais de 10 anos esse item apresentou variação positiva em torno de 0,30% e 0,40%, mas neste ano o nível subiu um pouco refletindo o boom do mercado imobiliário e também as constantes altas do Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) desde 2007", avalia Nakane. O IGP-M é usado para ajustar o preço dos contratos de aluguel.

"Se olharmos os núcleos é possível verificar que não se trata de uma inflação do 'feijãozinho como disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, há algumas semanas. O aumento dos preços é geral. A inflação contaminou outros setores da economia além dos alimentos", destaca Nakane.

Nakane destaca ainda o comportamento do grupo Transportes que apesar de ter acelerado (de 0,25% para 0,31%), revelou estabilidade dos preços de gasolina (0,02%) e deflação do álcool (-0,34%). "Por outro lado, o preço do litro de diesel subiu 7,52%", disse Nakane.

(Vanessa Stecanella - InvestNews)