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É preciso alinhar o discurso, diz professor

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SÃO PAULO, 29 de maio de 2008 - O Brasil acaba de receber a terceira classificação de grau de investimento. Desta vez, quem concedeu o título ao País foi a agência Fitch Rantings. É a segunda agência de classificação de risco norte-americana a conceder o grau ao Brasil.

Para Marcelo Moura, professor de finanças do Ibmec São Paulo, esta segunda classificação não é surpresa. ´A grande novidade foi quando o País recebeu a primeira titulação´, comenta o professor. ´Já era esperado que outras agências também contemplassem o Brasil com esta classificação, embora sempre houvesse o risco de isto não acontecer. Na verdade, esta titulação é apenas a confirmação de uma notícia boa´, completa.

De acordo com Moura, o que o mercado sinalizava é que, mesmo depois da sinalização da Standard & Poor´s ter concedido o investment grade, ele aguardava uma resposta positiva aos mesmos questionamentos feitos pela agência de risco quando da titulação, isto é, uma melhor adequação das políticas fiscais. ´Embora ainda não tenhamos o melhor cenário, a divulgação do superávit primário - maior do que o esperado - e o anúncio de um superávit nominal facilitou ainda mais a obtenção da confirmação desta classificação, uma vez que a solidez monetária já está sendo observada há algum tempo´, analisa o professor.

Ainda de acordo com o professor, hoje não deverá ser observado na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) os mesmos avanços que ocorreram no momento da primeira classificação. ´Ao contrário, é possível observarmos um movimento de realização de lucros, pois o mercado já vinha precificando esta segunda classificação por parte de uma agência de classificação norte-americana há algum tempo´, indica. ´Até porque o mercado só reage a novidades, fato de que a titulação de investment grade já não o é mais´, completa.

Segundo Moura, novidades que poderão influenciar um aumento da bolsa seriam uma forte queda da dívida pública, uma indicação de que a inflação vai se manter dentro da meta e a sinalização de seriedade, por parte do Governo, no sentido de se comprometer com superávits maiores e redução da dívida pública.

´Neste sentido, é preciso que o Ministério da Fazenda e o Banco Central alinhem seus discursos. Não adianta aumentar os juros para controlar a inflação. Já foi mais do que comentado que uma alternativa eficaz e mais rápida de se contar a inflação é uma redução dos gastos públicos, além de não afetar tão diretamente outros setores da economia como afeta quando se tenta controlar a inflação apenas com o aumento da taxa de juros´, reflete.

´Mais uma vez, está se confirmando que o Meirelles (Henrique Meirelles, presidente do BC) está certo em fazer o que está fazendo. É preciso ter um alinhamento entre a política monetária e a política fiscal´, complementa.

(Angela Ferreira - InvestNews)