Shell lucra mais que o esperado no 2º trimestre e destaca produção recorde no Brasil

Petroleira superou as expectativas no segundo trimestre e aproveitou a alta do petróleo para reforçar caixa, reduzir dívida e seguir devolvendo capital aos acionistas

Por MARCAS JB

A logomarca da Royal Dutch Shell é visto em um posto de gasolina em Londres

A Shell registrou novo avanço no lucro ajustado do segundo trimestre, alcançando US$ 9,84 bilhões, acima da estimativa de US$ 8,92 bilhões apontada por analistas. O resultado superou também o trimestre anterior e foi sustentado por um cenário de preços mais altos no mercado de energia.

O desempenho refletiu sobretudo o fortalecimento das operações de trading, além da contribuição das atividades de upstream. A companhia também informou produção recorde no Brasil e utilização recorde de suas refinarias, fatores que reforçaram o balanço do período.

Recompra mantida e caixa robusto

Mesmo com a volatilidade do setor, a Shell manteve o programa trimestral de recompra de ações em US$ 3 bilhões. É o 19º trimestre consecutivo em que a empresa preserva um retorno mínimo dessa magnitude aos acionistas, sinalizando confiança na geração de caixa.

No trimestre, a petroleira gerou US$ 21,4 bilhões em fluxo de caixa operacional e reduziu a dívida líquida para US$ 42 bilhões, ante US$ 52,6 bilhões no fim do primeiro trimestre. A companhia havia ajustado para baixo o valor da recompra em maio, mas repetiu agora o patamar de US$ 3 bilhões.

Impacto do conflito no Oriente Médio

A guerra no Oriente Médio trouxe ganhos inesperados para grandes petrolíferas, especialmente em trading e produção. O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã afetou a dinâmica da oferta global, elevando oportunidades para empresas com presença internacional e capacidade de resposta rápida.

Ao mesmo tempo, a Shell afirmou que o conflito provocou perda de cerca de 10% de sua produção total, em razão de ativos danificados ou paralisados no Catar. Entre os impactos, estão a planta Pearl de gás para líquidos e uma unidade de GNL da QatarEnergy, da qual a empresa detém 30%.

Químicos e refino também avançam

A companhia informou ainda que as margens mais elevadas levaram o lucro ajustado da divisão de químicos ao maior nível desde o terceiro trimestre de 2021. Produtos como diesel, querosene de aviação e petroquímicos seguiram com margens em patamares fortes.

O conjunto dos resultados mostra que a Shell se beneficiou de diferentes frentes ao mesmo tempo: trading, produção, refino e químicos. Em meio à tensão geopolítica, a empresa conseguiu ampliar lucros, reforçar caixa e continuar devolvendo capital ao mercado. (com informações da Agência Estado)