INFORME ECONÔMICO
Como a volatilidade do real brasileiro e as perspectivas de juros estão reformulando a seleção de operações no forex
Por INFORME ECONÔMICO
Publicado em 17/02/2026 às 23:19
Alterado em 17/02/2026 às 23:19
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O Brasil entrou em uma fase em que a volatilidade cambial não é apenas um momento que chama a atenção, mas faz parte do cotidiano. O real brasileiro agora reage rapidamente às mudanças nas expectativas de taxas de juros, notícias fiscais e fluxos de liquidez global. Para os traders, essa realidade forçou uma reavaliação. Não se trata mais apenas de o que negociar, mas de quando entrar no mercado e quanto risco assumir quando o Brasil está em jogo.
Nesse tipo de mercado, entender como a dinâmica forex se cruza com a política monetária do Brasil deixou de ser opcional. À medida que os padrões de volatilidade mudam e a perspectiva para as taxas de juros continua evoluindo, os traders estão ajustando suas estratégias para se adequarem ao comportamento real do real, e não ao comportamento que as moedas de mercados emergentes costumavam ter. E se você negociou com o real recentemente, provavelmente sentiu essa mudança em seus resultados.
A volatilidade do real brasileiro está redefinindo a avaliação de risco
O real brasileiro tem apresentado volatilidade acentuada devido a uma combinação de pressões internas e externas. A persistência da inflação, os debates fiscais e as mudanças nas condições das taxas de juros globais têm aumentado as oscilações de preços nos principais pares de moedas com o BRL.
Essa volatilidade está forçando os investidores a reavaliarem os modelos de risco tradicionais e as regras de dimensionamento de posição. Em vez de tratar a exposição ao real brasileiro como uma alocação secundária, muitos investidores agora a consideram um fator de alto impacto no desempenho da carteira.
Principais fatores que influenciam a volatilidade
- Mudanças nas expectativas de inflação e o grau de confiança dos investidores no banco central.
- Sentimento de risco global e reversões repentinas nos fluxos de capital
- Ruído político e incerteza persistente em torno da política fiscal.
Com o aumento da volatilidade, a duração das operações torna-se mais seletiva. Operações de curto prazo precisam de maior margem de segurança, enquanto posições de médio prazo exigem uma confirmação macroeconômica mais clara. Já vi traders evitarem inúmeros stops prematuros simplesmente ajustando sua estrutura de risco para corresponder ao regime de volatilidade atual do mercado. Parece algo pequeno, mas muitas vezes faz toda a diferença.
A perspectiva das taxas de juros está direcionando o rumo das negociações
As expectativas em relação às taxas de juros continuam sendo a principal bússola para o real brasileiro. Com a taxa Selic ainda entre as mais altas do mundo, o Brasil continua atraindo estratégias focadas em rendimento. Esse rendimento funciona como um ímã, mas apenas enquanto os investidores acreditarem que ele não está prestes a desaparecer.
Quando as perspectivas para as taxas de juros apontam para estabilidade ou aperto monetário, geralmente ocorrem fluxos de capital que sustentam o real. Quando as expectativas se inclinam para um afrouxamento monetário, a fraqueza tende a se instalar silenciosamente no início. Você provavelmente já notou o USD/BRL subindo bem antes de um corte de juros efetivo, movendo-se com base em expectativas e não na política monetária em si.
Como os investidores se adaptam aos sinais de taxa
- Favorecem a continuação da tendência quando as expectativas de taxas parecem estáveis.
- Reduzem a exposição antes de possíveis ciclos de flexibilização.
- Alinham as negociações com os diferenciais de rendimento, e não com ruídos de curto prazo.
As perspectivas para as taxas de juros agora moldam não apenas a direção, mas também a convicção. Operações que acompanham as expectativas da política monetária tendem a fluir com mais suavidade. Já aquelas que contrariam a narrativa sobre as taxas de juros? Geralmente, elas estagnam ou revertem a tendência mais rapidamente do que o esperado.
A volatilidade está mudando as estratégias de seleção de pares
A maior volatilidade também remodelou os pares de moedas com reais (BRL) que os traders preferem. O USD/BRL ainda lidera o ranking, mas não é mais a única forma de expressar uma visão sobre o Brasil. Muitos traders estão explorando pares que refletem melhor as tendências macroeconômicas globais e distribuem o risco de forma mais equilibrada.
Pares de moedas atrelados a commodities ou a fluxos mais amplos de mercados emergentes podem oferecer configurações mais seguras quando a volatilidade aumenta. Pense nisso como escolher um barco mais estável quando as ondas ficam mais fortes. Em mesas de operações focadas em commodities, especialmente na Ásia e na América Latina, essas mudanças tendem a aparecer mais cedo.
Ajustes comuns na seleção de pares
- Utilizando pares de moedas para reduzir a exposição concentrada ao USD.
- Escolher pares que estejam alinhados com os ciclos de commodities.
- Evitar sessões com baixa liquidez, onde os movimentos parecem exagerados.
Quando a volatilidade permanece elevada, a escolha inteligente de pares de moedas torna-se tão importante quanto acertar a direção. É uma vantagem sutil, mas que, com o tempo, faz toda a diferença.
O timing das negociações tornou-se mais focado em eventos
O real brasileiro é cada vez mais influenciado por eventos macroeconômicos programados, em vez de uma formação de preços suave e contínua. Decisões sobre taxas de juros, dados de inflação e anúncios fiscais agora funcionam como válvulas de escape. Assim que os dados são divulgados, o preço geralmente se desprende em um movimento decisivo. Por isso, muitos traders estão definindo o momento certo para entrar no mercado em torno desses eventos, em vez de esperar pela incerteza. Aguardar a confirmação após a divulgação dos números, em vez de tentar adivinhar o resultado, geralmente leva a operações com maior probabilidade de sucesso. Tenho visto a paciência superar a previsão na maioria das vezes, especialmente durante períodos de volatilidade.
Conclusão
A volatilidade do real brasileiro e a constante mudança nas perspectivas de taxas de juros estão remodelando a forma como os traders abordam o mercado cambial. A seleção de operações não é mais guiada apenas por sinais técnicos. Ela se concentra cada vez mais no alinhamento macroeconômico, na consciência do risco e no momento certo para entrar no mercado. À medida que o Brasil busca o controle da inflação, a disciplina fiscal e lida com as oscilações dos ciclos financeiros globais, os traders que se adaptam a essas condições ganham uma vantagem real. Entender o comportamento da volatilidade, respeitar as tendências impulsionadas pelas taxas de juros e refinar a seleção de operações não são mais opcionais. São o que diferencia reagir ao mercado brasileiro de navegar nele com confiança.