Governo acelera resposta ao risco de 'Super El Niño' no agro

Equipe federal monitora os efeitos do fenômeno climático e avalia reforço ao seguro rural para proteger a safra e conter a inflação dos alimentos

Por JB AGRO

Entre as culturas analisadas estão soja, trigo, milho, feijão, cana-de-açúcar, café e mandioca

O governo federal ampliou o acompanhamento dos possíveis impactos do El Niño sobre o setor agropecuário. A principal preocupação é dupla: reduzir perdas na produção e evitar pressão adicional sobre os preços dos alimentos, caso o fenômeno climático se intensifique nos próximos meses.

Segundo a avaliação oficial, o cenário exige atenção porque a nova safra começa a ser semeada em setembro, justamente no período em que o El Niño pode se transformar em um episódio forte. A expectativa é de aumento da probabilidade de ondas de calor, secas e chuvas intensas, fatores que podem comprometer a produtividade das lavouras.

Grupo de trabalho vai mapear impactos por região e cultura

Para responder ao risco, o Ministério da Agricultura criou um grupo de trabalho com participação do Inmet e da Embrapa. A missão do colegiado é identificar vulnerabilidades regionais e setoriais, avaliar os efeitos nas principais culturas e propor estratégias de mitigação e proteção ao produtor rural.

Entre as culturas analisadas estão soja, trigo, milho, feijão, cana-de-açúcar, café e mandioca. O grupo também deverá produzir um relatório com plano de trabalho, cronograma de ações e propostas institucionais para enfrentar os efeitos do fenômeno na produção e na produtividade da agropecuária brasileira.

Seguro rural volta ao centro das discussões

Uma das medidas em análise é a revisão do orçamento do seguro rural. O governo contingenciou mais de 53% da verba no último mês, reduzindo os recursos destinados à subvenção ao prêmio para R$ 473,8 milhões neste ano. Agora, técnicos veem espaço para recomposição após as análises do grupo de trabalho.

O tema foi separado das discussões do Plano Safra e passou a ser tratado dentro de uma estratégia mais ampla para lidar com os impactos do El Niño. A ideia é fortalecer instrumentos de gestão de risco e oferecer mais segurança ao produtor, especialmente em um cenário de endividamento, preços baixos das commodities e incerteza climática.

Pressão sobre inflação e outras frentes de apoio

No governo, também há preocupação com o efeito do fenômeno sobre a inflação dos alimentos. A alta dos fertilizantes, influenciada pelo conflito no Oriente Médio, é vista como um fator adicional de pressão sobre os custos de produção e sobre o preço final dos alimentos.

No campo da agricultura familiar, o Ministério do Desenvolvimento e Agricultura Familiar busca recursos para formar brigadas de incêndio em assentamentos da reforma agrária e discute a ampliação de estoques públicos e contratos de opções. O seguro rural também segue no radar, com monitoramento constante do orçamento e do risco de aumento das indenizações em caso de adversidades climáticas graves.

Entre os impactos sobre o setor, analistas também acompanham as exportações do agronegócio, que seguem influenciadas pelo comportamento da safra e pelos riscos climáticos. Em um cenário de pressão sobre custos e margens, temas como inflação e produtividade voltam a ganhar peso nas discussões do governo.

Outro ponto em análise é a cobertura do subsídio ao seguro rural, vista como ferramenta central para proteger o produtor em anos de maior instabilidade. O debate também alcança a crédito ao produtor rural, considerado essencial para manter a atividade em meio às adversidades climáticas.

Na avaliação de técnicos, medidas de apoio à agricultura familiar e à produção comercial precisam caminhar juntas para reduzir perdas, conter a pressão sobre os preços e dar mais previsibilidade ao campo. Nesse contexto, o acesso a seguro rural e a renegociação de dívidas aparecem como alternativas para enfrentar um ciclo de maior risco climático.

Por fim, o governo avalia que o acompanhamento das lavouras e o reforço de instrumentos de proteção devem ajudar a evitar que o choque climático se transforme em um problema maior para o abastecimento e para a renda no campo. (com informações da Agência Estado)