ECONOMIA
Brasil registra maior superávit comercial para outubro em 37 anos
Por ECONOMIA JB
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Publicado em 06/11/2026 às 19:48
Alterado em 06/11/2026 às 19:48
As compras brasileiras no exterior cresceram 14,8%, puxadas sobretudo pelos combustíveis, que subiram 86,8% em valor por causa da alta de preços no mercado internacional Foto: André Ribeiro/Agência Petrobras
A balança comercial brasileira fechou outubro com superávit de US$ 9,32 bilhões, o maior já registrado para o mês em 37 anos. O resultado foi 39,4% superior ao de outubro de 2025 e veio impulsionado pela forte alta das exportações, que somaram US$ 31,51 bilhões.
As importações também avançaram, atingindo US$ 24,82 bilhões, mas em ritmo menor do que as vendas externas. Com isso, a corrente de comércio chegou a US$ 56,33 bilhões, também recorde para meses de outubro na série histórica iniciada em 1989.
Petróleo, combustíveis e soja puxam as vendas externas
O desempenho das exportações foi liderado pela indústria extrativa, que vendeu US$ 11,52 bilhões, seguida pela indústria de transformação e pela agropecuária. Entre os produtos com maior destaque estiveram o petróleo bruto, com alta de 122,6%, e os minérios de metais e concentrados, que tiveram aumento expressivo nas vendas.
Na indústria de transformação, os combustíveis avançaram 164,5% e os farelos de soja cresceram 39,1%. Já na agropecuária, a soja subiu 8,9%, enquanto animais vivos, exceto pescados, tiveram salto relevante. O governo atribui parte do resultado ao aumento da produção e à elevação dos preços do petróleo no mercado internacional.
Vendas crescem para EUA e Europa, mas recuam para a China
As exportações brasileiras aumentaram para a maior parte dos principais mercados, com destaque para Europa e América do Norte. Os Estados Unidos compraram mais do Brasil mesmo em meio às tensões comerciais e às novas tarifas, já que alguns produtos, como itens de aviação, carne e suco de laranja, ficaram fora do tarifaço após negociações.
As vendas para a China, porém, caíram 5,3%, influenciadas pelo fim da cota para exportação de carnes. No total, a Europa importou US$ 7,76 bilhões em produtos brasileiros, enquanto a América do Norte somou US$ 5,66 bilhões e a Ásia permaneceu como principal destino regional das exportações.
Importações sobem com combustíveis e governo revisa projeção
As compras brasileiras no exterior cresceram 14,8%, puxadas sobretudo pelos combustíveis, que subiram 86,8% em valor por causa da alta de preços no mercado internacional. Bens de consumo também tiveram avanço relevante, enquanto os bens de capital cresceram em ritmo mais fraco, refletindo a desaceleração dos investimentos.
No acumulado de janeiro a outubro, a balança comercial já soma superávit de US$ 71,04 bilhões, alta de 34,1% sobre 2025. Para 2026, o Mdic revisou para baixo a estimativa de superávit, mas ainda projeta um resultado de US$ 84,4 bilhões, acima das expectativas do mercado financeiro.