ECONOMIA
Itaú atualiza cenário: PIB cresce só 0,5% em 2027, com inflação de 6,1% e parada na Selic em 13,75%
Por GILBERTO MENEZES CÔRTES
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Publicado em 30/10/2026 às 18:59
Alterado em 30/10/2026 às 19:00
. Marcos Tristao
Após a vitória de Lula, o Itaú divulgou, nesta sexta-feira (30), a atualização do cenário econômico para 2026 e 2027, com visão pessimista. O PIB de 2026 deve crescer 1,6%, e o de 2027, encolher de 1,2% a apenas 0,5%, em função da maior inflação (6,1%), provocada pelos combustíveis e a pressão no câmbio, o que levará o Banco Central a pausar a Selic em 13,75% na reunião de 4 de novembro, e manter o nível dos juros até dezembro de 2027.
Veja as principais previsões:
'Menos crescimento, mais inflação'
Atividade econômica: condições monetárias restritivas limitam o crescimento em 2027
"Os indicadores divulgados para o terceiro trimestre de 2026 reforçam a percepção de uma perda de fôlego da atividade econômica. Nosso "tracking" indica queda no PIB no trimestre (-0,1% t/t e 1,4% a/a), resultado ligeiramente abaixo do que esperávamos. Os primeiros dados referentes ao 4T26 também sugerem continuidade desse movimento, com o IDAT-Atividade apontando para um nível mais fraco de atividade econômica em outubro.
Diante disso, revisamos nossa projeção de crescimento do PIB em 2026 para 1,6% (ante 1,7%). A revisão incorpora os dados mais fracos do "tracking" do terceiro trimestre e uma perspectiva de maior desaceleração da atividade no último trimestre do ano, para o qual projetamos crescimento de 1,3% na variação annual.
Mais do que uma perda pontual de dinamismo, avaliamos que os dados recentes são consistentes com uma desaceleração mais prolongada da demanda doméstica, diante da dissipação dos estímulos fiscais e, sobretudo, da materialização dos efeitos defasados da política monetária restritiva.
PIB – "Reduzimos nossa projeção de crescimento do PIB em 2026 para 1,6% (de 1,7%), incorporando os dados do 3T26 e maior moderação da atividade para o último trimestre do ano. Para 2027, também reduzimos o crescimento do PIB para 0,5% (de 1,2%), diante das condições monetárias mais restritivas, agravadas por um quadro de maior pressão inflacionária e elevado endividamento das famílias e empresas. No mercado de trabalho, mantivemos as estimativas para a taxa de desemprego em 5,7% em 2026, mas revisamos nossa projeção para 6,5% (de 6,2%) em 2027".
Câmbio – "Revisamos a nossa projeção de taxa de câmbio para R$/US$ 5,40 em 2026 e R$/US$ 5,60 em 2027 (de R$/US$ 5,30 e R$/US$ 5,50, respectivamente). A revisão reflete o aumento do prêmio de risco doméstico em meio a maiores incertezas sobre a trajetória das contas públicas e sobre a perspectiva de ajuste fiscal nos próximos anos".
Inflação – "Revisamos também nossas projeções de IPCA para 5,2% em 2026 (de 5,1%) e 6,1% em 2027 (de 4,6%). A revisão de 2027 reflete principalmente as medidas sobre combustíveis, um câmbio médio mais depreciado e os efeitos estimados da reforma tributária e das mudanças na jornada de trabalho. O balanço de riscos segue assimétrico para cima".
Política fiscal – “Incertezas quanto à dinâmica futura da dívida pública reforçam a necessidade de ajuste fiscal relevante, da ordem de 4 p.p. do PIB, centrado no controle de despesas, tal como já apresentamos em edições anteriores. Uma âncora fiscal crível é condição fundamental para a plena transmissão da política monetária e para uma redução estrutural dos juros reais. No curto prazo, mantivemos nossa projeção de resultado primário de -0,5% do PIB em 2026 e de -0,6% em 2027”.
Selic – “Esperamos que o BC interrompa o ciclo de cortes na próxima reunião e mantenha a taxa Selic estável em 13,75% ao longo de 2027 (ante 12,50%). O cenário se tornou mais adverso, refletindo o aumento das pressões inflacionárias domésticas, o risco de deterioração adicional das expectativas e um cenário externo mais desafiador, com ciclos de aperto de juros em economias desenvolvidas e alta de preços de petróleo. O enfraquecimento da atividade é o principal contraponto e tende a limitar, por ora, a necessidade de um novo aperto monetário para o cumprimento do mandato legal do Banco Central”.
Balança comercial – “Revisamos a projeção de saldo comercial para US$ 93 bilhões em 2026 e US$ 97 bilhões em 2027 (de US$ 89 bilhões e US$ 84 bilhões). Já o déficit em conta corrente foi revisado para US$ 62 bilhões em 2026 e US$ 63 bilhões em 2027 (de US$ 64 bilhões e US$ 75 bilhões), equivalentes a 2,4% do PIB nos dois anos. A revisão reflete os preços do petróleo elevados por mais tempo, o câmbio mais depreciado e o menor crescimento doméstico no próximo ano. A força da balança comercial neste cenário favorece as contas externas em 2027, compensando os déficits de serviços e rendas ainda elevados”.