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Presidente Lula anuncia proibição das bets no Brasil nesta sexta

Decisão deve ser detalhada em evento em São Paulo e pode incluir apoio aos clubes de futebol

Por ECONOMIA JB

O jogador de futebol Lucas Paquetá e a marca Betano na camisa do Flamengo. Firmado em agosto de 2025, o maior patrocínio da história do futebol brasileiro prevê investimento de R$ 268,5 milhões por ano pela empresa para estampar o uniforme do Rubro-Negro, informa o 'InvestNews

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara para esta sexta-feira (25) o anúncio da proibição do funcionamento das empresas de apostas eletrônicas no país. A decisão ocorre após semanas de debate interno no governo e às vésperas do primeiro turno das eleições.

A medida será apresentada em São Paulo. O Planalto promete divulgar novas ações voltadas à proteção das famílias e da economia popular.

Pressão política e impacto no futebol

A ofensiva contra as bets ganhou força nas últimas semanas e passou a ocupar o centro do discurso de Lula na reta final da campanha. Em comícios e eventos públicos, o presidente afirmou que quer acabar com o setor, que classifica como um problema social e financeiro para a população.

Clubes de futebol estão entre os principais setores contrários à proibição total, já que dependem dos patrocínios das casas de apostas. Por isso, o governo também estuda medidas de apoio, como ampliação de crédito ou renegociação de dívidas, para reduzir o impacto da mudança.

Mercado regulado e arrecadação bilionária

As apostas online foram autorizadas no governo Michel Temer, mas só ganharam regras mais claras no fim de 2023, já na gestão Lula. O mercado regulado começou a funcionar em 2025, com autorização para 85 empresas mediante pagamento de outorga de R$ 30 milhões.

Apesar disso, o setor movimentou valores expressivos: a arrecadação chegou a cerca de R$ 10 bilhões em 2025 e, no primeiro semestre de 2026, somou aproximadamente R$ 7,3 bilhões. Antes da decisão de banimento total, a hipótese mais provável era restringir os cassinos online e a publicidade, sem acabar com as bets.

Governo mira plataformas irregulares

Na quinta-feira (24), o Ministério da Justiça determinou a remoção de 1.367 páginas e perfis no Facebook e no Instagram usados para divulgar apostas irregulares. O monitoramento identificou 1.274 páginas no Facebook e 93 perfis no Instagram com propagandas, vídeos e links que levavam usuários para esses sites.

As investigações continuam para identificar os responsáveis pelos perfis e outros canais digitais de promoção. Entre os alvos da ofensiva está o chamado “jogo do tigrinho”, apontado como uma das principais fontes de faturamento das plataformas de apostas.

Crítica ao vício e ao endividamento das famílias

Lula tem repetido que as apostas online causam dependência e ampliam o endividamento das famílias brasileiras. Em declarações recentes, afirmou que a juventude está presa aos algoritmos e que o setor prejudica especialmente os mais pobres.

O tema também ganhou força por causa da percepção negativa da opinião pública. Pesquisa Datafolha divulgada em maio apontou que 57% dos brasileiros consideram as apostas online um vício, enquanto 31% as veem como perda de dinheiro. (reportagem ampliada com informações da Folhapress)