POLÍTICA

Clubes pressionam governo para evitar proibição de apostas online

Entidades do futebol tentam convencer ministros a recuar enquanto o Planalto mantém a possibilidade de avançar com a medida

Por POLÍTICA JB
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Publicado em 20/09/2026 às 15:21

O governo federal prepara uma medida provisória para restringir ou até proibir apostas e jogos de azar online no país. A iniciativa surge em meio à tentativa de reorganizar a pauta política do Planalto e ocorre num momento de forte disputa eleitoral, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscando espaço para conter o avanço de seus adversários nas pesquisas.

Antes mesmo de qualquer anúncio oficial, a possibilidade de mudança já provocou reação no futebol brasileiro, setor que hoje depende fortemente das receitas vindas das casas de apostas. A discussão ganhou força porque campeonatos, clubes, emissoras e profissionais ligados ao esporte se tornaram parte de um ecossistema sustentado por esse mercado.

Clubes temem impacto financeiro e alertam para clandestinidade

Os principais clubes do país divulgaram uma nota conjunta criticando a possível mudança. No documento, afirmam que inviabilizar o modelo atual abriria espaço para plataformas clandestinas, sem pagamento de impostos e sem limites de operação, o que poderia comprometer ainda mais a sustentabilidade financeira do futebol.

Segundo as entidades, o efeito seria grave para a estrutura econômica do esporte, com risco de insolvência para várias agremiações. Entre os clubes que assinam o comunicado estão Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco e Cruzeiro, além de outras equipes que também se mobilizam para tentar barrar a proposta.

Lula reforça discurso e mantém pressão política

Em discurso público, Lula afirmou que pretende enfrentar o tema e disse que os clubes não podem transferir ao torcedor o custo de um mercado associado ao vício e a prejuízos sociais. O presidente indicou que está disposto a levar adiante a ofensiva contra as bets e disse que não pretende recuar facilmente na disputa.

Ao mesmo tempo, o governo também adotou outras medidas para ampliar sua agenda positiva, como o anúncio de reajuste no Bolsa Família e a promessa de oferta de canetas emagrecedoras gratuitas no SUS. A estratégia faz parte de um esforço mais amplo para reforçar a imagem do presidente diante de um cenário político mais difícil.

Rejeição às bets pode favorecer a estratégia do Planalto

Embora a reação do futebol seja intensa, pesquisas indicam que a imagem das apostas online é amplamente negativa entre os brasileiros. Um levantamento da AtlasIntel mostra que a maioria da população considera as bets nocivas e associa o mercado a prejuízos, o que pode abrir espaço para o governo sustentar a proposta com apoio social.

Nas redes sociais, as manifestações contrárias ao setor também se multiplicam, reforçando a percepção de que a resistência não está restrita aos clubes. Com a eleição se aproximando, a disputa sobre as apostas online passou a reunir interesses políticos, impacto econômico e um debate mais amplo sobre os limites do mercado no esporte brasileiro. (reportagem ampliada com informações da Agência Ansa)

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