ECONOMIA
Banco Central estuda medidas para conter endividamento causado por fintechs
Por ECONOMIA JB
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Publicado em 18/09/2026 às 06:09
Alterado em 18/09/2026 às 08:17
Famílias vulneráveis estão expostas a juros elevados e a um nível crescente de endividamento Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
A expansão do crédito digital no Brasil ajudou milhões de pessoas a acessar cartões e empréstimos com mais facilidade, especialmente consumidores de renda mais baixa. Mas esse avanço também expôs famílias vulneráveis a juros elevados e a um nível crescente de endividamento.
Crédito mais fácil, dívida maior
O caso de Alice de Queiros, de Salvador (BA), resume essa nova realidade. Com renda próxima ao salário mínimo, ela viu o limite do cartão subir rapidamente e acabou com uma dívida muito acima da sua capacidade de pagamento. Hoje, parte relevante do seu salário é consumida por parcelas e encargos, obrigando-a até a voltar a morar com a mãe.
Segundo apuração jornalística, 82% das famílias brasileiras estão endividadas e cerca de um terço já está atrasado com pagamentos. O aumento da oferta de crédito por fintechs e bancos digitais ampliou o acesso ao sistema financeiro, mas também trouxe consumidores mais arriscados para linhas de crédito caras e pouco protegidas.
Juros altos e modelo de concessão em debate
Especialistas afirmam que a entrada dos bancos digitais não reduziu as taxas cobradas dos clientes. Em vez de competir principalmente por preço, muitas empresas passaram a disputar mercado oferecendo crédito rápido, com análise simplificada e pouca exigência de comprovação de renda. O resultado foi uma combinação de expansão acelerada e maior fragilidade financeira para parte dos clientes.
No Brasil, os juros do cartão rotativo seguem entre os mais altos do mundo, chegando a cerca de 440% ao ano, muito acima de mercados como o dos Estados Unidos. Para economistas e representantes do setor, o problema também reflete a baixa recuperação de crédito e a avaliação insuficiente da capacidade de pagamento dos consumidores.
Inadimplência cresce entre clientes de neobancos
Estudos recentes mostram deterioração na qualidade da carteira dos credores digitais. A participação de inadimplentes entre clientes de cartões de neobancos , como Nubank, Mercado Pago, PicPay e PagSeguro, entre outros, avançou de forma importante nos últimos anos, enquanto nos bancos tradicionais houve queda. A combinação de público mais vulnerável, juros elevados e expansão rápida do crédito explica boa parte desse movimento.
O Banco Central estuda medidas para enfrentar o problema, e o governo relançou programas de renegociação de dívidas. Ainda assim, para consumidores já pressionados pelos pagamentos, o alívio imediato continua limitado. O tema entrou no centro do debate econômico e também nas discussões políticas antes das eleições. (com informações da Reuters)