ECONOMIA
Bets podem ter tirado até R$ 141 bilhões da economia em 2025
Por ECONOMIA JB
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Publicado em 15/09/2026 às 19:41
Alterado em 15/09/2026 às 19:41
. Agência Brasil
Um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da FEA/USP, estima que as apostas online, conhecidas como bets, retiraram entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da atividade econômica brasileira em 2025. O valor equivale a uma perda de 0,9% a 1,1% do PIB e representa, segundo os pesquisadores, algo entre 40% e 50% de todo o crescimento esperado da economia no ano.
A análise também compara esse efeito com outras pressões sobre a economia e aponta que o impacto das bets seria cerca de cinco vezes maior do que o estimado para o tarifaço americano sobre o PIB brasileiro. Mesmo quando são considerados empregos diretos e indiretos associados ao setor, o resultado praticamente não muda.
Arrecadação menor e saldo negativo para o governo
Além do efeito sobre o consumo, o estudo calcula que a redução da atividade econômica pode provocar perda de arrecadação entre R$ 31,1 bilhões e R$ 54,8 bilhões. Como as plataformas de apostas já recolheriam cerca de R$ 9 bilhões em tributos, o saldo líquido para as contas públicas ainda ficaria negativo em pelo menos R$ 22 bilhões, podendo chegar a R$ 46 bilhões.
Os pesquisadores destacam que esse montante corresponde a 10% a 20% do orçamento destinado à saúde pública em São Paulo em 2025. Na avaliação deles, a receita gerada diretamente pelas bets não compensa as perdas mais amplas provocadas pela redução do consumo e da atividade econômica.
Endividamento e concentração de renda
O trabalho também considera o possível aumento do endividamento das famílias. Em uma hipótese extrema, se a transferência líquida de R$ 62,5 bilhões para as bets tivesse sido financiada por novo crédito, isso representaria cerca de 14% do aumento do endividamento das famílias em 2025.
Outro efeito apontado é a piora na distribuição de renda. Como o 1% mais rico concentra uma fatia significativa da renda nacional, a transferência de recursos das famílias para as casas de aposta poderia aumentar ainda mais essa concentração, entre 0,5% e 2,1%, dependendo de quem ficasse com os lucros do setor.
Conclusão dos pesquisadores
Para o Made/USP, o problema das apostas não se restringe aos prejuízos individuais. As bets também podem reduzir a demanda, afetar o PIB, ampliar a desigualdade e pressionar as contas públicas, criando um impacto macroeconômico relevante para o país.