ECONOMIA

Embargo da União Europeia a produtos de origem animal do Brasil começa nesta quinta-feira

Bloqueio atinge carnes, mel, pescados e ovos, mas o país tenta reverter a medida nas negociações com o bloco

Por ECONOMIA JB
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Publicado em 03/09/2026 às 07:44

O setor de mel também demonstra preocupação, especialmente porque as exportações para a Europa vinham crescendo Sputnik / Igor Podgorny

A União Europeia passa a barrar a entrada de produtos de origem animal do Brasil, atingindo carne bovina, suína, frango, mel, pescados e ovos, nesta quinta-feira (3). A decisão vale para os 27 países do bloco e pode ser revista caso avancem as negociações com o governo brasileiro.

O bloqueio não foi motivado por irregularidades encontradas na carne, mas pela avaliação de que o controle do Brasil sobre o uso de antimicrobianos na pecuária ainda não atende às exigências europeias. O tema ganhou peso porque o bloco proíbe o uso dessas substâncias para estimular o crescimento dos animais e também veta medicamentos reservados ao tratamento humano.

Brasil tenta reverter a decisão

Desde o anúncio da medida, o governo brasileiro adotou mudanças na tentativa de reabrir o mercado europeu. Em abril, o Ministério da Agricultura proibiu alguns antimicrobianos, e em junho apresentou um novo protocolo de controle, com rastreamento do animal desde o nascimento até o abate. O objetivo é comprovar que as substâncias não foram usadas ao longo da cadeia.

Segundo entidades do setor, boa parte das empresas já trabalha dentro dessas exigências. A Abiec afirma que suas associadas habilitadas para vender à UE adeririam ao protocolo, enquanto o novo sistema também foi elaborado com apoio de certificadoras e da CNA. Mesmo assim, a decisão europeia ainda não foi revertida, e a avaliação final depende do resultado da auditoria em andamento no Brasil.

Impacto varia entre carne bovina, frango e mel

Entre os segmentos afetados, carne bovina e frango são os mais relevantes, já que estão entre os produtos de origem animal mais exportados pelo Brasil para a União Europeia. Ainda assim, a UE representa uma fatia pequena do valor total embarcado pelo país, o que reduz parte do impacto imediato sobre o comércio exterior.

No caso da carne bovina, exportadores avaliam que o mercado europeu é estratégico porque compra cortes nobres e de maior valor agregado. Já o setor de frango espera que as vendas sejam retomadas ainda neste ano, mas isso depende da análise da auditoria e da reunião do comitê europeu responsável pelo tema. Se o bloqueio continuar, parte da produção pode ser redirecionada ao mercado interno e a outros países compradores.

Mel teme perda de mercado em expansão

O setor de mel também demonstra preocupação, especialmente porque as exportações para a Europa vinham crescendo após a sobretaxa imposta pelos Estados Unidos. Com isso, produtores brasileiros passaram a buscar mais espaço no mercado europeu, que havia dobrado no primeiro semestre deste ano.

Representantes do setor afirmam que o mel brasileiro exportado é, em grande parte, orgânico e já segue cadeias de certificação voltadas à ausência de resíduos e antibióticos. Ainda assim, há receio de contaminação cruzada, caso colmeias fiquem próximas a áreas de criação de gado, o que reforça a importância do controle exigido pela União Europeia.

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