ECONOMIA

Apagão da Oi por dívida atinge lotéricas em 18 estados e redes de segurança

Empresa enfrenta recuperação judicial, venda frustrada de ativos e alerta formal sobre iminente colapso financeiro

Por ECONOMIA JB
[email protected]

Publicado em 06/08/2026 às 07:05

Alterado em 06/08/2026 às 08:23

Casas lotéricas ficaram vazias Foto: reprodução

O desligamento de serviços feito pelo Grupo Sitelbra, fornecedor da Oi, provocou impactos imediatos em contratos considerados essenciais. Entre os afetados estão 70 lotéricas da Caixa Econômica Federal em 18 estados, 294 circuitos de dados que atendem as câmeras do projeto Vídeo Polícia, na Bahia, 36 circuitos da Enel no Ceará e cerca de 1 mil links de clientes da operadora.

A empresa interrompeu os serviços na noite de sábado, 1º, sem aviso prévio, alegando atrasos nos pagamentos. O caso levou a Oi a pedir tutela cautelar urgente à 7ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, onde tramita seu segundo processo de recuperação judicial.

Justiça ordena religamento e impõe multa milionária

A juíza Simone Chevrand acolheu o pedido da Oi e determinou que o Grupo Sitelbra religue os serviços em até 12 horas. Em caso de descumprimento, a multa diária fixada foi de R$ 5 milhões, valor elevado diante da gravidade da interrupção.

Na mesma decisão, a magistrada também exigiu que a Oi apresente uma planilha detalhando os valores devidos e os pagamentos realizados nos últimos três meses. Para ela, os serviços afetados são essenciais e não podem ser interrompidos, ainda que isso amplie a dívida da companhia com o fornecedor.

Crise financeira da Oi se aprofunda

O apagão reforça o quadro de deterioração financeira da operadora. No ano passado, a Justiça chegou a decretar a falência da empresa, mas a decisão foi suspensa após bancos como Itaú e Bradesco pedirem a continuidade da recuperação judicial para viabilizar a venda organizada dos ativos restantes e o pagamento dos credores.

Desde então, a direção da Oi foi afastada e a companhia passou a ser comandada por um gestor indicado pela Justiça. Em junho, a empresa tentou vender a Oi Soluções, divisão voltada a conectividade e tecnologia para empresas, que reúne cerca de 14 mil contratos com órgãos públicos e privados, incluindo Caixa, Correios e diferentes poderes da administração pública.

Venda frustrada e alerta sobre colapso iminente

O edital do leilão previa valor mínimo de R$ 1,417 bilhão, mas nenhuma das cinco interessadas — Vivo, Claro, TIM, V.tal e Sercomtel — apresentou proposta. Depois disso, a Oi pediu autorização para vender a unidade por menos da metade do valor de avaliação, mas o pedido foi contestado pelo Ministério Público e negado pela juíza.

Em despacho recente, Simone Chevrand afirmou que a inviabilidade econômica da manutenção das atividades da companhia está evidenciada e determinou que o Ministério das Comunicações e outros órgãos fossem informados sobre o “iminente colapso financeiro” da Oi. A magistrada também criticou a postura do governo, que classificou como inerte diante da situação da empresa. (com informações da Agência Brasil)

Deixe seu comentário