Petróleo cai com acordo provisório entre EUA e Irã
Brent e WTI recuam mais de 1% diante da expectativa de aumento da oferta global e retomada do fluxo no Estreito de Ormuz
Os preços do petróleo caíram mais de 1% nesta quinta-feira, alcançando o menor nível desde o início das negociações após a guerra com o Irã. O movimento reflete a melhora das expectativas de oferta global depois do avanço de um acordo provisório entre Estados Unidos e Irã.
O Brent recuava cerca de US$ 1, ou 1,37%, para US$ 78,45 por barril, enquanto o WTI caía 2%, para US$ 75,18 por barril. As cotações voltaram aos menores patamares desde março, em meio à expectativa de retomada do fluxo de barris iranianos ao mercado internacional.
Estreito de Ormuz volta ao centro das atenções
O memorando de 14 pontos abre um período de negociação de 60 dias e prevê passagem sem pedágio pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo e gás. A proposta também estabelece a restauração total do tráfego pelo estreito em até 30 dias, caso o entendimento avance.
O acordo preliminar deixa temas mais sensíveis, como o programa nuclear iraniano, para etapas posteriores. Além disso, prevê que EUA e parceiros elaborem um plano de US$ 300 bilhões para apoiar a recuperação do Irã, o que reforça a leitura de normalização gradual no mercado de energia.
Mercado vê retomada gradual da oferta
Analistas avaliam que os fluxos pelo Estreito de Ormuz devem se recuperar aos poucos, embora os preços não necessariamente caiam de forma acentuada. Isso porque a demanda continua em recuperação e os estoques precisam ser repostos, o que pode limitar a pressão baixista no médio prazo.
O Goldman Sachs projeta que as exportações do Golfo voltem aos níveis pré-guerra até o fim de julho e que a produção de petróleo se recupere até outubro. O banco estima ainda que a normalização das exportações pode vir com um aumento de 13 milhões de barris por dia nos fluxos pelo estreito, levando o volume para cerca de 70% do patamar anterior à guerra.
Em meio às discussões sobre o impacto das sanções e da oferta regional, o mercado também acompanha a leitura histórica de que o mercado do petróleo reage rapidamente a qualquer mudança nas relações entre Teerã e Washington.
Autoridades e analistas lembram ainda que o Irã tem disputas recorrentes sobre a segurança da rota, como mostrado em declarações anteriores sobre o fechamento do estreito.
O histórico de tensões também inclui ameaças militares dos Estados Unidos em momentos de crise, como em episódios passados ligados ao bloqueio de Ormuz.
Na avaliação de diplomatas, a mediação do Paquistão foi decisiva para aproximar as partes e reduzir o risco imediato sobre o abastecimento mundial de energia.
O avanço das tratativas ocorre depois de semanas de pressão, incluindo a possibilidade de novos ataques e escalada militar, como alertado por Donald Trump.