ECONOMIA
Decisão dos EUA sobre facções pode afetar instituições sujeitas à supervisão americana, informa associação dos bancos
Por ECONOMIA JB
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Publicado em 30/05/2026 às 07:04
Alterado em 30/05/2026 às 08:19
Donald Trump deverá receber telefonema do presidente Lula, que tentará reverter o quadro Foto: Jonathan Ernst
A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) alertou para possíveis efeitos sobre o sistema financeiro brasileiro após a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em comunicado, a entidade afirmou que a medida pode impactar especialmente o relacionamento entre instituições financeiras brasileiras e americanas, em um ambiente regulatório que segue em evolução.
Segundo a ABBC, os efeitos podem atingir instituições e empresas que tenham relações comerciais ou financeiras sujeitas à legislação e à supervisão norte-americanas. A associação avalia que a decisão pode elevar custos de observância, ampliar diligências, exigir revisões adicionais de compliance e aumentar o nível de questionamento por parte de parceiros internacionais.
Impacto nas operações internacionais
Na avaliação da entidade, o cenário tende a afetar principalmente operações internacionais e fluxos vinculados ao sistema financeiro global. A ABBC também admite a possibilidade de piora na percepção de risco por investidores estrangeiros, o que pode gerar efeitos operacionais sobre transações e atividades econômicas legítimas.
Entre os possíveis desdobramentos, a associação cita maior rigor em processos de validação, monitoramento e análises complementares, sobretudo em transações com conexão internacional. Para a ABBC, isso pode tornar o ambiente mais complexo para bancos e empresas que dependem de integração com o mercado externo.
Setor já tem regras robustas
A ABBC ressalta que o sistema financeiro brasileiro já opera sob regras robustas de prevenção à lavagem de dinheiro e combate ao financiamento do terrorismo. Na visão da entidade, o arcabouço regulatório e de supervisão no país é forte, alinhado a padrões internacionais e diferente da realidade de outros países que recentemente foram alvo de sanções.
A associação afirma ainda que eventuais medidas desse tipo devem considerar e respeitar os marcos regulatórios e institucionais locais de cada jurisdição. Ao mesmo tempo, reforça apoio integral ao enfrentamento ao crime organizado e às fraudes bancárias, defendendo o fortalecimento contínuo das instituições nacionais.
Clima é de alerta, não de pânico
A entidade informa que acompanha o tema e apoia seus associados em iniciativas para reforçar processos de compliance, monitoramento e cooperação institucional. O objetivo, segundo a ABBC, é preservar a segurança, a previsibilidade e o funcionamento regular do ambiente financeiro.
Como mostrou reportagem do Broadcast, o setor bancário teme que a medida dos EUA possa ser o ponto de partida para uma piora nas relações bilaterais, com paralelos à época da imposição da Lei Magnitsky a autoridades brasileiras no ano passado. Nos bastidores, porém, o clima é de alerta, mas não de pânico. (com informações da Agência Estado)