ECONOMIA

Nelson Tanure: 'Nunca fui controlador, sócio ou gestor do Banco Master'

Investidor sustenta legalidade das operações e denuncia tentativa de associação indevida a fraudes investigadas pela PF

Por JORNAL DO BRASIL com Agenda do Poder
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Publicado em 16/01/2026 às 06:11

Alterado em 16/01/2026 às 08:19

O empresário Nelson Tanure Reprodução

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O investidor Nelson Tanure reagiu de forma contundente às informações que circularam após ser alvo de uma medida autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e afirmou que todas as suas relações com o extinto Banco Master foram estritamente comerciais e plenamente lícitas. Em nota pública, Tanure negou qualquer vínculo societário ou de controle com a instituição financeira, classificou como especulação as tentativas de associá-lo a irregularidades e declarou confiar que as investigações irão comprovar a correção de sua conduta ao longo de mais de cinco décadas de atuação empresarial.

Com atuação empresarial em setores estratégicos da economia brasileira, Tanure sustenta que a ação judicial não se apoia em fatos concretos que o vinculem ao extinto Banco Master, instituição que tem sido citada em investigações recentes. A nota é incisiva ao desmontar ponto a ponto as acusações que passaram a circular no debate público.

'Nunca fui controlador, sócio ou gestor do Banco Master'
Tanure nega categórica de qualquer vínculo societário ou de controle com o Banco Master. Ele afirma, de forma taxativa:

“Não fui nem sou controlador do extinto Banco Master, tampouco seu sócio, ainda que minoritário, direta ou indiretamente.”

O investidor ressalta que jamais manteve participação por meio de debêntures conversíveis, opções ou qualquer instrumento financeiro que pudesse caracterizar ingerência ou influência na gestão do banco. A relação, segundo ele, sempre foi estritamente comercial, como ocorre com diversas instituições financeiras no Brasil e no exterior.

Relação comercial legítima e dentro da lei
Tanure destaca que as operações realizadas com o Banco Master envolveram aplicações financeiras, crédito, gestão de fundos e aquisições societárias, todas em conformidade com a legislação e a regulação do sistema financeiro. Ele reforça que não tinha acesso nem conhecimento das operações internas do banco, tampouco de eventuais relações da instituição com terceiros.

“Jamais tivemos participação, ou sequer conhecimento, de relações mantidas pelo banco com terceiros, sejam instituições financeiras, fundos de pensão, entes públicos, políticos ou quaisquer agentes baseados em Brasília”, afirma.

O trecho funciona como um questionamento direto à narrativa que tenta associá-lo, sem provas, a conexões políticas ou institucionais sensíveis.

Origem lícita dos recursos e prejuízos assumidos
Outro ponto central da nota é a origem dos recursos investidos, que Tanure atribui exclusivamente à sua trajetória empresarial consolidada, responsável por gerar empregos e riqueza ao longo de décadas. Ele também rebate qualquer suspeita sobre ganhos indevidos, ao admitir que sofreu prejuízos financeiros com o Banco Master.

“Os valores eventualmente remanescentes correspondem a perdas suportáveis, próprias de operações de tomadores de risco”, afirma, destacando que já vinha reduzindo sua exposição ao banco há bastante tempo.

Confiança na Justiça e crítica à espetacularização
Embora critique duramente a forma como o episódio foi tratado publicamente, Tanure afirma que permanece à disposição das autoridades e confia que as investigações irão esclarecer os fatos.

“Tenho plena confiança na seriedade das investigações e de que ficará comprovado que minhas relações com o extinto banco foram integralmente lícitas, ainda que tenham nos causado prejuízos relevantes.”

A nota encerra com uma mensagem de resiliência e defesa de sua atuação como investidor focado na recuperação de empresas e na geração de valor para o Brasil, em contraste com o que classifica como tentativas de criminalização sem base factual.

A manifestação pública de Nelson Tanure ocorre no contexto de uma nova fase da investigação conduzida pela Polícia Federal, deflagrada na quarta-feira (14), que apura fraudes envolvendo o extinto Banco Master. Ao todo, a PF cumpriu 42 mandados judiciais em endereços de empresas e de pessoas ligadas a Daniel Vorcaro, apontado como dono do banco, em cinco estados do país.

Tanure também acabou sendo alvo da operação, embora negue qualquer relação societária ou de controle com a instituição financeira. Ele foi abordado por agentes da Polícia Federal antes de embarcar em um voo do Rio de Janeiro para Curitiba, ocasião em que os policiais apreenderam seu telefone celular, fato que motivou a divulgação da nota de esclarecimento.

Conhecido no mercado financeiro por atuar como investidor especializado na recuperação de empresas em dificuldades, Nelson Tanure possui participações relevantes em companhias de diferentes setores estratégicos da economia, como energia, telecomunicações, tecnologia, saúde, petróleo e construção. Na nota, ele reforça que sua trajetória empresarial sempre foi marcada por operações lícitas, geração de empregos e assunção de riscos próprios do mercado, rejeitando qualquer tentativa de associação indevida a esquemas investigados.

A integra da nota:

"NOTA DE ESCLARECIMENTO

Na manhã desta quarta-feira (14/01/2026), fui surpreendido com um pedido de “busca pessoal”, emitido pelo STF, que atendi com respeito e prontidão. Na ocasião, meu celular foi recolhido.

Cena inusitada para mim, nessa quadra da minha vida, com mais de 50 anos de vida empresarial nos mais diversos campos da economia brasileira.

A cobertura sobre o fato foi agravada pela publicação de inverdades, dando ares de realidade ao que não passa de especulação.

Diante disso, em respeito à minha história e à de todos que dela participam, quero deixar uma mensagem aos que realmente me conhecem, acompanham, que fazem ou fizeram negócio comigo ou com empresas das quais participo.

1) NÃO fui nem sou controlador do extinto Banco Master, tampouco seu sócio, ainda que minoritário, direta ou indiretamente, inclusive por meio de opções, instrumentos financeiros, debêntures conversíveis em ações ou quaisquer mecanismos equivalentes.

2) Mantivemos com o referido banco relações estritamente comerciais, sempre na condição de cliente ou aplicador, assim como fazemos com outras instituições financeiras no Brasil e no exterior. Essas relações envolveram aplicações financeiras, operações de crédito, gestão de fundos e aquisição de participações societárias, sem qualquer ingerência na gestão ou conhecimento das outras operações internas dessas instituições. Todas as operações foram realizadas em estrita conformidade com a legislação e a regulamentação vigentes.

3) Jamais tivemos participação, ou sequer conhecimento, de eventuais relações mantidas pelo extinto Banco Master com terceiros, sejam eles Reag, BRB, Fictor ou outras instituições financeiras, fundos de pensão, fundos árabes, RPPA, entes públicos, políticos ou quaisquer outros agentes baseados em Brasília.

4) Os recursos financeiros que investimos, com resultados positivos ou não, têm origem exclusivamente em nossa trajetória empresarial, que gerou e segue gerando milhares de empregos e riqueza para a sociedade brasileira, e no crédito construído ao longo de décadas de atuação responsável no mercado.

5) Há bastante tempo vínhamos reduzindo gradualmente nossa exposição ao referido banco. Neste momento, os valores eventualmente remanescentes correspondem a perdas suportáveis, próprias de operações de tomadores de risco.

Permaneço, como sempre estive, à disposição das autoridades e da Justiça para cooperar, demonstrando a correção da minha conduta. Tenho fé e plena confiança na seriedade das investigações, de que todos os fatos relacionados a mim serão devidamente esclarecidos e de que ficará comprovado que minhas relações com o extinto banco foram integralmente lícitas, ainda que, infelizmente, tenham nos acarretado bastantes prejuízos.

Sigo resiliente, com a serenidade de quem sempre conduziu seus negócios com responsabilidade e trabalho, investindo na recuperação de empresas que geram valor para o Brasil.

Nelson Tanure"

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