ECONOMIA

Firjan: acordo Mercosul-UE representa avanço no atual contexto geopolítico e comercial

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Por ECONOMIA JB com Agência Estado
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Publicado em 12/01/2026 às 06:06

Alterado em 12/01/2026 às 08:16

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A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) classificou como “estratégica” a aprovação provisória do Acordo Mercosul-União Europeia, selado na sexta-feira (9) pelo Conselho da União Europeia, em Bruxelas. Para a entidade, o tratado chega em meio a um cenário geopolítico tenso, marcado por novas barreiras comerciais, e pode fortalecer a competitividade do Brasil no mercado global.

De acordo com a federação, juntos, Mercosul e UE somam perto de US$ 22 trilhões – cerca de um quinto da economia mundial – e movimentaram, só em 2024, US$ 95 bilhões em comércio bilateral com o Brasil. No mesmo período, o bloco europeu foi o segundo maior parceiro do Rio de Janeiro, com intercâmbio de US$ 16,1 bilhões.

A Firjan destaca que, após a ratificação, 95% das linhas tarifárias das exportações do Mercosul para a UE terão alíquota zero em prazos de quatro a 12 anos. Em paralelo, 91% das linhas tarifárias impostas pelo Mercosul serão liberalizadas de forma mais gradual para as importações com origem no bloco europeu, com cestas de produtos submetidos à desgravação imediata ou linear ao longo de prazos que variam entre 4 e 30 anos, este último caso para produtos sensíveis, como veículos automotivos baseados em novas tecnologias.

Ainda segundo a Firjan, o texto também avança em barreiras não tarifárias, harmonização de normas técnicas e compromissos de desenvolvimento sustentável. “A Firjan permanecerá atenta às próximas etapas do processo de implementação do Acordo Mercosul-UE com o objetivo de contribuir para o fortalecimento da competitividade e da inserção internacional da indústria fluminense”, concluiu a federação.

Finanças argentinas

O ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, disse que o acordo Mercosul-União Europeia permitirá ao seu país ampliar suas exportações e acelerar o ritmo de crescimento econômico.

“Os produtos argentinos poderão acessar um mercado de mais de 700 milhões de pessoas, o que representa 20% do PIB mundial. Nesse sentido, a eliminação, por parte da UE, das tarifas sobre 92% das exportações argentinas e o acesso preferencial para outros 7,5% delas estimularão o comércio, o investimento e a geração de mais empregos no país”, disse Caputo em uma publicação no X.

O ministro do governo Milei ainda afirmou que o acordo colocará a Argentina em igualdade de condições em relação a outros países que atualmente desfrutam de preferências junto ao bloco europeu, como Chile, México e África do Sul. “O acordo gerará maiores oportunidades comerciais para as PMEs, enquanto os consumidores se beneficiarão de uma maior variedade de bens e serviços a preços competitivos”, acrescentou.

Na sexta-feira, o Conselho Europeu autorizou a assinatura do acordo de parceria entre a União Europeia e o Mercosul, abrindo caminho para um dos mais amplos pactos já negociados pelo bloco europeu. O documento destaca que partes do acordo poderão ser aplicadas de forma provisória, especialmente no campo político e de cooperação.

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