ECONOMIA

Febraban identifica postagens pagas, de ínfluenciadores' de direita, contra Banco Central e a liquidação do Master

Entidade aponta "volume atípico" de conteúdos em redes sociais e apura se houve ataque coordenado por Daniel Vorcaro para descredibilizar o Banco Central

Por ECONOMIA JB com Brasil 247
[email protected]

Publicado em 07/01/2026 às 07:08

Alterado em 07/01/2026 às 08:14

Isaac Sidney Menezes Ferreira é o presidente da Febraban Febraban/divulgação

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirma ter identificado, no fim de dezembro, um “volume atípico” de postagens em redes sociais com menções à entidade e a seus representantes, em meio à repercussão do caso envolvendo a liquidação do Banco Master. A federação informa que realiza, de forma periódica, monitoramentos com empresas especializadas e que, nesses levantamentos, detectou um pico incomum de publicações relacionadas ao tema.

A nota foi divulgada após reportagens apontarem que instituições e autoridades ligadas ao caso sofreram ataques coordenados nas redes sociais pouco antes da virada do ano. Segundo as informações divulgadas, a ofensiva teria se concentrado em um período de 36 horas e utilizado contas conhecidas por promover celebridades para questionar a credibilidade de órgãos como o Banco Central e a própria Febraban.

Em sua manifestação, a Febraban declara que está analisando se as postagens identificadas naquele período “caracterizariam ou não eventual ataque coordenado à entidade”, acrescentando que “já se observou nos últimos dias uma redução significativa daquele volume atípico”. A federação ressalta ainda que não realiza monitoramentos específicos voltados a identificar supostos movimentos coordenados contra outras instituições ou autoridades.

A entidade também destaca que seus levantamentos têm caráter interno e não são divulgados. “Os levantamentos feitos para a Febraban são para consumo interno e não são divulgados pela entidade”, diz a nota.

O episódio ganhou ainda mais dimensão com a divulgação de relatos de que influenciadores de direita teriam recebido propostas para difundir, em seus perfis, a narrativa de que o Banco Central teria sido precipitado ao decretar a liquidação do Master. Segundo essa versão, o objetivo seria colocar em xeque a atuação do regulador e ampliar críticas ao processo, com base em conteúdos que ecoariam a posição do Tribunal de Contas da União (TCU), especialmente materiais em que a corte vê indícios de “precipitação” na decisão do Banco Central.

De acordo com as informações publicadas, o projeto teria sido batizado de “DV”, iniciais associadas ao nome do dono do banco, Daniel Vorcaro, e buscaria impulsionar vídeos e postagens que reforçassem questionamentos sobre a condução do caso. A estratégia, segundo esse relato, seria explorar a repercussão de análises do TCU para ampliar a desconfiança em relação ao Banco Central e alimentar um ambiente de desgaste institucional.

A nota da Febraban, ao reconhecer a existência de um pico anormal de publicações e ao investigar a hipótese de um ataque coordenado, reforça a percepção de que a disputa em torno da liquidação do Banco Master extrapolou o campo técnico e institucional, migrando para uma arena digital marcada por campanhas de influência e tentativas de desestabilização de reputações.

A movimentação ocorre em um contexto em que debates sobre regulação, credibilidade institucional e integridade do sistema financeiro se tornam alvos frequentes de campanhas organizadas nas redes sociais. Ao sinalizar que acompanha esse ambiente e que apura a origem e o padrão do conteúdo identificado, "a Febraban procura se posicionar como parte interessada em preservar a confiança no setor e em proteger a legitimidade dos órgãos que integram a estrutura de supervisão bancária no país", diz a nota.

Inteligência artificial

O JORNAL DO BRASIL perguntou ao Chat GPT "quem são os influenciadores de direita que estão falando mal do Banco Central e contra a liquidação do Banco Master".

Eis a resposta do gigante da IA:

"Aqui estão alguns influenciadores de direita que estão envolvidos nas conversas nas redes sociais sobre o Banco Central (BC) e a liquidação do Banco Master, seja por terem falado criticamente, seja por terem sido procurados para defender a liquidação ou atacar o BC:

Influenciadores que relataram terem sido procurados para falar mal do Banco Central e contra a liquidação do Banco Master

Esses nomes surgiram em relatos recentes de que influenciadores digitais de perfil alinhado à direita receberam propostas para produzir conteúdo criticando a atuação do Banco Central no caso Banco Master — e também em discussões públicas sobre o tema:

Rony Gabriel

Vereador em Erechim (RS), com grande presença nas redes sociais e perfil associado à direita.

Relatou publicamente que foi procurado em dezembro de 2025 para produzir vídeos criticando o Banco Central e defendendo o Banco Master, sob sugestão de que a liquidação do banco teria sido precipitada ou injusta. Ele recusou a proposta.

Juliana Moreira Leite

Influenciadora digital que também confirmou ter recebido proposta similar de «gerenciamento de reputação» para questionar a ação do BC no caso Master.

Assim como Rony Gabriel, ela afirmou que recusou fazer o trabalho.

Paulo Cardoso

Embora não tenha divulgado que recebeu proposta formal, ele foi citado como exemplo de influenciador que publicou um vídeo questionando a liquidação do Banco Master e a atuação do Banco Central (exibindo um despacho do TCU para sugerir precipitação na liquidação).

Importante contextualizar

Nem todos os influenciadores que mencionaram ou criticaram o Banco Central nesses posts aceitaram propostas pagas; vários comentários nas redes foram espontâneos e não relacionados diretamente a contratos. No caso confirmado, Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite explicaram que recusaram a oferta.

Segundo reportagens, houve um movimento mais amplo nas redes entre o final de dezembro de 2025 e início de 2026 com postagens questionando o Banco Central e comemorando a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de revisar a liquidação — o que inclui diversos influenciadores e perfis de direita, alguns com milhões de seguidores."

Deixe seu comentário