Ibovespa se aproxima de máxima histórica com maior série de altas semanais desde 2017

O pano de fundo desse movimento contempla estímulos monetários e fiscais significativos e perspectivas de mais medidas

Foto: Reuters/Mike Segar
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O Ibovespa voltou a flertar com os 119 mil pontos nessa sexta-feira (18) e, embora não tenha conseguido manter o fôlego, engatou a maior sequência de ganhos semanais desde 2017, com o capital externo coibindo movimentos de realização de lucros.

Após as compras de estrangeiros no segmento Bovespa superarem as vendas em novembro em mais de 33 bilhões de reais, dezembro já contabiliza um saldo positivo de 11,57 bilhões de reais até o dia 16, dado mais recente disponibilizado pela B3.

O pano de fundo desse movimento contempla estímulos monetários e fiscais significativos e perspectivas de mais medidas, bem como o começo do processo de vacinação contra a Covid-19 no mundo e o desfecho da eleição norte-americana.

“Condições financeiras extremamente frouxas podem ter desencadeado uma mudança nas condições econômicas globais em direção a um dólar mais fraco e, consequentemente, preços de commodities mais altos e melhores perspectivas para os preços de ativos de mercados emergentes”, afirmou Jean Van de Walle, diretor de investimentos da Sycamore Capital.

Na máxima desta sexta-feira, o Ibovespa chegou a 119.370,48 pontos, encostando no recorde intradia de 119.593,10 apurado em 24 de janeiro. A máxima de fechamento é de 119.527,63 pontos, alcançado no dia 23 do mesmo mês.

Com a performance desta semana, o Ibovespa acumulou a maior série de ganhos semanais desde a sequência de oito semanas fechando no azul encerrada em 15 de setembro de 2017. Das mínimas do ano em março, acumula ganho de mais de 90%.

Nesta sexta-feira, o Ibovespa fechou em queda de 0,32%, a 118.023,67 pontos, mas terminou a semana com elevação de 2,5%, ampliando o ganho em dezembro para 8,38%. No ano, acumula agora acréscimo de 2,06%.

Maiores baixas do Ibovespa no dia

Maiores altas do Ibovespa no dia

O índice Small Caps recuou 0,47%, a 2.782,57 pontos, mas avançou 0,66% na semana e agora 6% no mês. Em 2020, porém, ainda perde 2,06%.

O volume negociado no pregão nesta sexta-feira somou 31,6 bilhões de reais.

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DESTAQUES DO IBOVESPA DO ACUMULADO DO MÊS

CSN ON sobe 29,31%, em meio a um cenário ainda benigno para preços do minério de ferro, bem como ambiente favorável para alta de preços de aço no Brasil. No radar da CSN também está o prometido IPO da divisão de mineração na primeira semana de janeiro.

ELETROBRAS ON avança 18,67%, em meio a perspectivas ligadas à privatização da empresa, dado o potencial de criação de valor relevante, com chance de que a questão entre na pauta no Congresso ainda no primeiro semestre de 2021.

AMBEV ON valoriza-se 16,45%, em mais um mês de recuperação, embora ainda mostre queda de dois dígitos em 2020. Neste mês, o Itaú BBA abriu a cobertura da ação com outperform, citando uma revolução silenciosa da fabricante de bebidas, embora vislumbre um 2021 ainda difícil.

VIA VAREJO ON acumula queda de 5,24%, em meio a movimentos de realização de lucros após forte valorização desde o começo da pandemia de Covid-19, em performance bem abaixo do que suas pares no setor - B2W ON sobe 11,73% MAGAZINE LUIZA ON avança 4,88%.

CARREFOUR BRASIL ON perde 3,13%, ainda enfraquecido pelos desdobramentos após a morte por espancamento de um cliente numa loja da rede em novembro, que desencadeou protestos e medidas internas. Nessa semana, o varejista pagou 519,3 milhões de reais por 5 lojas e 2 postos do Makro.

COSAN ON cai 1,86%, em meio a uma reorganização societária, com incorporação de Cosan Log, dona da Rumo, e Cosan Limited pelo conglomerado de energia e infraestrutura. Estrategicamente, o Goldman Sachs vê implicação neutra, mas avalia que a potencial diversificação no negócio ferroviário adicionaria complexidade.(com agência Reuters)

Veja o comportamento dos principais índices setoriais na B3 no acumulado do mês:

- Índice financeiro: +10,90%

- Índice de consumo: +4,53%

- Índice de Energia Elétrica: +4,54%

- Índice de materiais básicos: +9,58%

- Índice do setor industrial: +5,80%

- Índice imobiliário: +6,62%

- Índice de utilidade pública: +5,29%