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Caixa desmente Bolsonaro no dia do discurso na Assembleia da ONU; valor do auxílio em dólar é quase a metade menor

No seu discurso na abertura dos trabalhos da Assembleia da ONU na primavera (22 de setembro), que cabe ser inaugurada pelo Brasil, o presidente Jair B...

No seu discurso na abertura dos trabalhos da Assembleia da ONU na primavera (22 de setembro), que cabe ser inaugurada pelo Brasil, o presidente Jair Bolsonaro abusou do tom ufanista. Disse que o Auxílio Emergencial de R$ 600, distribuído por cinco meses - tendo por referência os meses de abril, maio, junho, julho e agosto - e reduzido para R$ 300 a partir de setembro, teria distribuído “em parcelas que somam aproximadamente US$ 1 mil para 65 milhões de pessoas”.

Nesta mesma terça (22), um comunicado à imprensa da Caixa Econômica Federal, que centraliza os pagamentos do Auxílio, reduz o exagero presidencial a quase metade. Diz a CEF que “ao todo, já foram pagos R$ 200,5 bilhões do Auxílio Emergencial para 67,2 milhões de brasileiros, em um total de 288,3 milhões de pagamentos”. Como o dólar fechou nessa segunda (21) em R$ 5,40, a divisão de R$ 200,5 bilhões por 67,2 milhões de brasileiros (2,2 milhões a mais do que disse Bolsonaro em seu discurso), dá uma média de R$ 2.983,63 per capita.

Essa quantia, dividida pela cotação do dólar, daria US$ 552,52. Quase metade, ou 44,74% menos. Nos Estados Unidos, o auxílio foi de US$ 600 mensais, mas com duração até julho. Com o dólar fechando ontem a R$ 5,4683, a conversão em dólar reduziria o valor do auxílio acumulado a US$ 545,63. Num segundo teaser publicado ao fim do dia de ontem, a Caixa informava que “R$ 201,3 bilhões foram creditados até ontem a 67,2 milhões de brasileiros”. Ajustando os valores, daria R$ 2,995,53 por pessoa. Ao câmbio de ontem, seriam US$ 547,80. Ainda 45,22% aquém do número em dólar informado ao mundo por Bolsonaro.

Versões e fatos

No discurso presidencial publicado pela Agência Brasil (EBC) está dito:

“Nosso governo, de forma arrojada, implementou várias medidas econômicas que evitaram o mal maior:

- Concedeu auxílio emergencial em parcelas que somam aproximadamente US$ 1 mil para 65 milhões de pessoas, o maior programa de assistência aos mais pobres no Brasil e talvez um dos maiores do mundo”;

Já o release da Caixa, que informa sobre a distribuição diz: “Ao todo, já foram pagos R$ 200,5 bilhões do Auxílio Emergencial para 67,2 milhões de brasileiros, em um total de 288,3 milhões de pagamentos”.

No teaser publicado no final do dia, já incorporando os pagamentos de ontem, a CEF afirmava ter feito “291,5 milhões de pagamentos a 67,2 milhões de brasileiros, somando R$ 201,3 bilhões”.

Nos outros exageros, sobretudo na questão ambiental, na qual tentou inverter a situação, colocando o Brasil (e não o governo Bolsonaro) como vítima de versões não verdadeiras produzidas por ONGs e divulgadas pela imprensa nacional e estrangeira, não tive condições de medir os desvios.

Mas a contradição entre os releases da Caixa Econômica Federal, que é presidida por Pedro Duarte Guimarães, um dos aliados mais fiéis do presidente da República, é autoexplicativa. Fala por si. E como diz o ditado: “Quem conta um conto, aumenta um ponto”...