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Economia

Economia de guerra: Petrobras corta investimentos em 28% e reforça caixa com US$ 8 bi

Jornal do Brasil GILBERTO MENEZES CÔRTES, gilberto.cortes@jb.com.br

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Sede da Petrobras, no Centro do Rio de Janeiro (Foto: REUTERS/Sergio Moraes)

Ao mesmo tempo em que comunicou aos acionistas, nesta sexta (20), a proposta de redução de 28% nos investimentos de capital para 2020 – para R$ 39,41 bilhões, reservando 78,7% (R$ 31,04 bilhões) para exploração e produção de petróleo, sobretudo no pré-sal, R$ 6,23 bilhões para refino e gás natural e R$ 2,13 bilhões para o segmento corporativo, a Petrobras tratou de reforçar o caixa em US$ 8 bilhões, com antecipação de linhas de crédito bancário.

A medida visa contrabalançar a perda de receitas na exportação com a baixa da cotação do petróleo em 54% nos últimos 30 dias, que levou a companhia a baixar várias vezes os preços dos derivados (gasolina, diesel e GLP) no mercado doméstico. Em contrapartida, no mesmo período, o dólar subiu entre 15% (pela cotação de hoje, quando a moeda americana cedeu 1,6% diante do real, cotada a R$ 5,0188) ou 19%, pela cotação de R$ 5,1976, da véspera.

Reforço da liquidez

A Petrobras informa que “solicitou aos bancos o desembolso de suas linhas de crédito compromissadas (Revolving Credit Lines), no montante de cerca de US$ 8 bilhões. O desembolso é consistente com a estratégia de reforçar a liquidez da companhia, a fim de se resguardar dentro do contexto atual de crise, em função da pandemia do COVID-19 (coronavírus) e do choque de preços do petróleo”.

Desde o auge da crise na China, em 19 de fevereiro, o preço do barril do petróleo do tipo Brent, para entrega em três meses, despencou 54%. No dia 19 de fevereiro, valia US$ 59,12 e hoje, por volta das 12:20, hora do Brasil, tinha caído para US$ 27,25% (com baixa de mais de 4% no dia). Em compensação, o dólar subiu no período comprimindo o caixa da companhia e aumentando o endividamento em relação ao faturamento.

Diz a empresa que “está avaliando outras medidas que reforcem ainda mais seu fluxo de caixa, como a redução adicional de custos e otimizações de seu capital de giro”.

A Petrobras reafirma sua estratégia sustentada pelos cinco pilares: maximização do retorno sobre o capital, redução do custo de capital, busca incessante por custos baixos, meritocracia e respeito às pessoas, meio ambiente e segurança. A crise atual reforça a importância destes pilares que devem continuar a ser perseguidos ainda com mais foco.

Mercado reage com alta das ações

As medidas anunciadas pela Petrobras, que se valeu da abertura de linhas de crédito até US$ 60 bilhões do Federal Reserve dos Estados Unidos ao Banco Central brasileiro, para repasse aos bancos e empresas locais, repercutiram bem na B3. As ações PN subiam por volta das 12:15 5,89%, cotadas a R$ R$ 12,93. Já os ADRS das PNs negociados em Nova Iorque subiam 3,65%, cotados a US$ 5,11.

A questão é que, desde o último pregão de 2019, quando valiam, respectivamente, R$ 30,18 na B3 e US$ 14,92 na NYSE, as ações despencaram 57% em reais e 65% em dólar.