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Petrobras PN desaba 24% com queda de 30% no barril

Com óleo em baixa e dólar em alta dívida vale duas empresas

REUTERS/Sergio Moraes -
Petrobras
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O pânico tomou conta dos mercados financeiros mundiais na manhã desta segunda-feira (9), após a Arábia Saudita anunciar domingo que venderia mais petróleo no mercado, em função da falta de acordo com a Rússia (os dois países disputam a liderança da exportação mundial). A cotação futura (para entrega em três meses) do barril tipo Brent chegou a despencar 30%, a US$ 32. A queda das ações na Bolsa de Nova Iorque (e no Brasil) foi tão grande que a NYSE e a Bovespa suspenderam o pregão.

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Petrobras (Foto: REUTERS/Sergio Moraes)

As ações PN da Petrobras chegaram a cair a R$ 17 (mais de 24%), mas reagiram, acompanhando a alta do barril para a faixa de US$ 36, e a queda das ações foi atenuada para 21%, por volta das 11h30. Ações ligadas a commodities também estão em baixa, como as da Vale PN, chegaram a cair mais de 10% e também reagiram levemente. O ouro provou, mais uma vez, ser ativo de reserva para crises, com alta de 13% em Nova Iorque.

Venda de ativos da Petrobras fica inviável

Os sinais vermelhos acenderam nos painéis da Petrobras, cujo valor de mercado caiu a R$ 240 bilhões. Como a empresa tem uma dívida bruta da ordem de US$ 88 bilhões, com a cotação do dólar a R$ 4,74, a dívida bruta alcançou R$ 417 bilhões, quase o dobro do valor da companhia.

O mais grave é que o plano de desinvestimento de campos maduros, cuja fase vinculante teve início na sexta-feira, 6 de março, quanto a venda de 8 refinarias (RNEST, RLAM, REPAR, REFAP), numa primeira fase e REGAP, REMAN, LUBNOR e SIX, numa 2ª fase, para as quais a estatal esperava receber todas “as propostas vinculantes entre abril e junho” deste ano, subiu no telhado. Nas atuais condições de mercado ficou totalmente inviável. Não há parâmetros para compradores ou vendedores.

Em recente apresentação a investidores em Londres e Nova Iorque, a Petrobras trabalhava com cenário do barril de petróleo na faixa de US$ 45. O ponto de equilíbrio para a companhia era com o barril no mínimo de US$ 16, uma vez que o custo de produção no pré-sal caiu para a faixa de US$ 7,6 por barril, mais US$ 2,1 de custo de afretamento de navios e barcos de apoio por barril. Acontece que o cenário do dólar estava no máximo em R$ 4 e está caminhando para se estabilizar em maior de R$ 4,50.