OBITUÁRIO - Jaime Rotstein, fundador do Sondotécnica, um dos pioneiros da engenharia nacional

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Jaime Rotstein em 2011 (Foto: Sondotécnica)

Morreu ontem, aos 91 anos, o engenheiro Jaime Rotstein. Ainda jovem, aos 26 anos, fundou em 1954 a Sondotécnica Engenharia, que dirigiu ao longo de 65 anos, consolidando a empresa como uma das mais respeitadas consultorias de engenharia do país, com projetos assinados em áreas como transporte, saneamento, hidráulica, meio ambiente, petróleo e gás e eletricidade.

A atuação se estendeu a dezenas de países e contribuiu largamente para o reconhecimento, em âmbito mundial, dos padrões de excelência dos profissionais brasileiros. O que poderia ser apenas a trajetória comum de um empresário bem-sucedido tornou-se um exemplo de dedicação, colaboração e trabalho contínuo em prol do crescimento do país.

Jaime Rotstein começou a trabalhar com 11 anos, não apenas para ajudar nas despesas de casa, mas também por possuir um forte espírito empreendedor. Sua performance acadêmica chamou a atenção de professores da Escola Nacional de Engenharia do Rio Janeiro e de importantes profissionais do mercado, com os quais trabalharia mais tarde.

Ainda frequentava as salas de aula da Escola Nacional de Engenharia quando se engajou na campanha “o Petróleo é Nosso”. Também assumiu posições de liderança em assuntos vitais para os interesses do Brasil, como a Campanha de Defesa de Engenharia, que resultou no decreto (64.345, de 10/04/1969) que fundamentou a categoria.

Criou a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária –ABES, recebendo o título de Patrono da Memória da Engenharia Sanitária e Ambiental, em 1999. Teve destacada atuação na defesa do uso intensivo do álcool combustível, recebendo em 1983 o título de Pioneiro do Álcool Carburante, conferido pelo Instituto de Engenharia de São Paulo.

Em 1986 foi nomeado pelo presidente José Sarney para a Comissão Nacional de Energia, por notório saber e ilibada reputação. Em março de 1999 foi eleito para o Conselho de Administração da Petrobras e da BR Distribuidora, ocasião em que defendeu o aproveitamento máximo do petróleo pesado brasileiro a ser refinado no Brasil. No mesmo ano integrou o Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro. Escreveu diversos artigos e publicou 16 livros que dão forma às suas ideias e visão do mundo.

Jaime Rotstein deixa esposa, filhas, netos e bisnetos. O enterro será nesta quarta-feira, 23 de outubro, às 13 horas, no Cemitério Israelita do Caju.