Mais de 100 donos de indústrias de bebidas regionais começaram a chegar, nesta terça-feira (24), a Brasília para o lançamento da Frente Parlamentar Mista Bebidas Brasil, presidida pelo deputado federal Guiga Peixoto (PSL-SP). O evento será realizado nesta quarta-feira, no anexo 3 da Câmara dos Deputados e promete ser uma grande mobilização do setor contra as fábricas de concentrados de refrigerantes de multinacionais na Zona Franca de Manaus, que provocam distorção no mercado e prejudicam a livre concorrência.
A frente parlamentar se propõe a ser o canal legítimo de busca de justiça tributária e igualitária para o setor de bebidas. No total, quase 90% do faturamento e 80% do volume do mercado de bebidas no Brasil ficam concentrado nas mãos de apenas três multinacionais: Coca-Cola, Ambev e Heineken. As micro, pequenas e médias empresas regionais de refrigerantes têm apenas 6%. Mais de 600 indústrias de bebias nacionais já fecharam as suas portas por causa da concorrência desleal, baseada no excesso de incentivos fiscais concedidos às multinacionais do setor.
O deputado federal Guiga Peixoto destacou a importância do setor de bebidas regionais para a economia do Brasil. “Representar o setor na presidência da frente parlamentar é incentivar essas indústrias e a geração de emprego e renda no nosso país”, asseverou. “Com muita alegria, encontrei representantes do setor de bebidas da nossa região que fazem parte da nossa Frente”, disse ele.
Nesta quarta-feira (24), os empresários do setor visitaram os parlamentares no Congresso Nacional, explicando a importância de cessar a farra de incentivos para as fábricas das multinacionais de bebidas na Zona Franca de Manaus. Eles destacaram a importância de colocar o assunto em discussão, já que o Legislativo tem discutido a proposta de reforma tributária.
Crítica ao oligopólio
O presidente da Afrebras destacou a importância da mobilização e manifestou apoio à postura do ministro da Economia, Paulo Guedes. “O ministro já fez declarações públicas de que o Brasil não pode ter uma região beneficiada em detrimento de outras”, acentuou Bairros. “A Amazônia necessita de investimentos e deve ser preservada, mas a Zona Franca não pode continuar como palco para grandes empresas, como Coca-Cola, Ambev e Heineken, aumentarem seus lucros e fortalecerem o oligopólio no setor”, acrescentou.
“A Zona Franca de Manaus é uma fábrica de créditos de impostos. As empresas beneficiadas não geram a quantidade de empregos necessária e de forma proporcional, retirando bilhões de reais dos cofres públicos”, criticou o empresário Paulo Roberto Schincariol. Ele é presidente da Refrix Envasadora de Bebidas, que produz os Refrigerantes Xereta, em Tietê, a 140 quilômetros de São Paulo.
O executivo Murilo Parise, diretor da Bellpar Refrescos, reforça que a “Zona Franca de Manaus causa distorção no mercado”. “Só as grandes empresas conseguem ter acesso à região para instalarem as suas unidades, já que o custo de instalação é muito alto”, afirmou, para continuar: “Essa discrepância é um tapa na cara da sociedade como um todo”. A Bellpar fica em Conchas, a 180 quilômetros de São Paulo.
Gargalos
Diretor da indústria do Guaraná Mineiro, sediado em Minas Gerais, o empresário Ítalo Silva ressaltou a necessidade de os demais empresários se unirem na mobilização em Brasília. “A nossa organização faz com que o próprio setor seja conhecido e valorizado”, ponderou. “Os benefícios às grandes empresas na Zona Franca de Manaus e o regime de substituição tributária estão entre os maiores gargalos que afetam as indústrias de bebidas regionais”, asseverou.
O empresário Guilherme Peixoto Soares, das Bebidas Rinco, reforçou a importância das pequenas e médias indústrias de bebidas para a geração de emprego e renda no país. “São empresas que envolvem muita gente e isso tem de ser visto pelos parlamentares. Não temos um lobby como as grandes indústrias para conseguirmos visibilidade e incentivos fiscais como elas, mas vamos continuar atuando em defesa da isonomia tributária no país”, acentuou. A indústria dele é sediada em Goiás.
O executivo Harriman Faria, das Bebidas Jota Efe, cuja sede está localizada em Minas Gerais, também integrou a comitiva de representantes de indústrias de bebidas brasileiras. “Hoje, a tributação é muito diferenciada, penaliza os pequenos e interfere na concorrência no mercado, beneficiando as grandes empresas e multinacionais”, criticou.
Representante dos Refrigerantes Rochedo, em Pernambuco, Clodoaldo Amorim destacou a grande relevância da mobilização em Brasília. “Existe muita distorção referente aos tributos no mercado. Precisamos vir ao Congresso para explicar melhor as nossas demandas. Os tributos e impostos, da forma como estão hoje, prejudicam a livre concorrência”, reforçou.