Dólar avança ante real após cancelamento de reunião na comissão especial sobre Previdência

 

SÃO PAULO, 27 Jun (Reuters) - O dólar avançava ante o real nesta quinta-feira, de olho no cancelamento da reunião desta quinta-feira na comissão especial sobre reforma da Previdência e tendo o exterior mais cauteloso como pano de fundo.

Às 13:05, o dólar avançava 0,46%, a 3,8645 reais na venda. Na quarta-feira, o dólar encerrou em queda de 0,16%, a 3,8467 reais na venda. Neste pregão, o dólar futuro tinha alta de 0,5%.

A sessão da comissão especial da Câmara prevista para esta quinta-feira foi adiada, o que leva a votação da matéria no colegiado também para a próxima semana. Mas segundo o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o relator da proposta, Samuel Moreira (PSDB-SP), o adiamento não prejudica o calendário e a previsão de votar a proposta ainda antes do recesso no plenário da Câmara.

"(Mas) na prática o atraso dificulta muito a votação no plenário antes do recesso, que começa dia 18 de julho", avaliaram economistas da XP Investimentos, em nota.

O adiamento gerou cautela entre investidores, o que soma a um movimento usual de fim de mês de fortalecimento do dólar, explicou o diretor de câmbio do banco Ourominas, Mauriciano Cavalcante.

"O mercado nesta quinta e sexta-feiras deve pesar um pouco mais, na sexta com a formação da Ptax, com empresas estrangeiras enviando os lucros para fora, e o BC está agindo um pouco aí, jogando alguns bilhões de dólares no mercado para poder suprir essa saída", explicou, em referência aos leilões de linha realizados pela autoridade monetária na terça e quarta-feira.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta quinta-feira que o BC vai intervir quando houver algum problema de liquidez no mercado de câmbio e não tem discriminação contra nenhum instrumento cambial, acrescentando que as atuações ocorrem de acordo com a demanda do mercado.

Nesta quinta, o BC concluiu a rolagem dos 10,089 bilhões de dólares em contratos que expirariam em 1º de julho.

Investidores também têm no radar o exterior, em especial a cúpula do G20, que começa na sexta-feira. O mercado externo piorou o sinal após o assessor econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, dizer que os EUA podem avançar com a imposição de tarifas adicionais sobre produtos chineses. (Edição de José de Castro)