Inadimplência do BNDES (2,61%) é maior que a do BB (2,59%)

O BNDES revelou nesta terça-feira o seu lucro de R$ 11,1 bilhões no 1º trimestre, um aumento extraordinário de 436,7% sobre igual período de 2018, o maior de todo o Sistema Financeiro Nacional. O Itaú, 2º colocado, teve lucro recorrente de R$ 6,4 bilhões, um aumento de 5,5%. o Lucro do Bradesco cresceu 30% no período e o do Santander, 21%. Mas os números do BNDES não são tão bons como parecem. 

Para começar o banco teve receitas extraordinárias de R$ 11,1 bilhões com alienação de patrimônio, via participações acionárias em empresas, R$ 8,2 bilhões o ganho na venda de ações da Fibria, comprada pela Suzano. Outros resultados vieram de vendas de ações da Petrobras, Vale e Rede. 

Convenhamos, isso não é um critério correto, pois se as empresas eram rentáveis (e as estatais voltaram a ser), o BNDES está abrindo mão de patrimônio para fortalecer a liquidez e quitar parte dos empréstimos que o banco concedeu no passado às custas de mais de R$ 500 bilhões recebidos a custo baixo do Tesouro. 

Inadimplência de 2,62% é maior que os 2,59% do BB

Quando se observa a inadimplência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que sempre foi historicamente a mais baixa de todo o SFN, vê-se que a situação não é confortável. Embora a inadimplência acima de 90 dias tenha diminuído no último período, passando de 2,95% em dezembro de 2018 para 2,61% em março de 2019, ela ficou estável frente a março de 2018, com os mesmos 2,61%. É maios que os 2,59% de inadimplência do Banco do Brasil, que tem perfil de risco de crédito mais elevado que o BNDES.

 Em nota explicativa, o BNDES diz que que “ desconsideradas as operações cujas prestações são garantidas pela União, esse índice de inadimplência do BNDES seria de 1,32%, inferior à média do SFN (2,90% em fevereiro).

O índice de renegociação, que compreende as operações de crédito renegociadas nos últimos 12 meses, aumentou de 4,4% em dezembro/18 para 4,5% em março/19.

O banco escondeu as demonstrações financeiras. Para se encontrar o resultado de março do ano passado foi tão difícil quanto localizar as operações de financiamentos a projetos de engenharia no exterior.

Além do maior índice de operações renegociadas, outro dado que mostra que a qualidade do crédito não melhorou é o da concentração. O maior devedor do banco (a Petrobras) devia 5,4% das operações em março de 2018 e respondia por 19,5% dos repasses financeiros do banco; em março de 2018, os índices eram menores: 4,4% e 42,9%.

Levantamento sobre os 10 maiores devedores é semelhante: o grau de concentração era de 19,3% das operações diretas e de 49,2% dos repasses, passando a 19,1% e 48,7% dos repasses.