PIB do agronegócio cai, mas Agrishow acredita em otimismo contagiante

As principais culturas produzidas no país chegam à Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação) em meio a momentos antagônicos, com dúvidas e incertezas de um lado e perspectivas positivas de outro.
A feira agrícola será aberta nesta segunda-feira (29) em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) com previsão de alcançar R$ 3 bilhões em intenções de negócios até sexta-feira (3) e ser a de melhor faturamento da história. Em 2018, movimentou R$ 2,7 bilhões.
Mas nem tudo vai bem no campo. Enquanto a soja vive bons preços internacionais devido à cotação do dólar (perto de R$ 4) -colheitadeiras de grãos são os produtos mais caros na feira agrícola- e a cana-de-açúcar busca se beneficiar com a subida do preço do barril do petróleo, o café enfrenta o oposto e a laranja ainda não tem real noção de como será o ano.
O otimismo não é geral também porque as expectativas de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) foram revistas para baixo.
O PIB do agronegócio, segundo pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), apresentou ligeira queda de 0,15% em janeiro. A retração esteve ligada ao resultado de -0,6% da pecuária.
"No geral, a perspectiva é favorável. O otimismo contamina, pode trazer boas surpresas [em negócios]", disse Marcos Fava Neves, docente da USP (Universidade de São Paulo) e da FGV.
A cana, em sua avaliação, pode ter alta nos preços devido ao deficit na produção mundial de açúcar e à subida do preço do barril de petróleo, que na última semana superou os US$ 75 pela primeira vez desde outubro e pode estimular uma safra ainda mais alcooleira no Brasil.
"Pode ter alguma reversão dependendo do balanço mundial de açúcar, da próxima safra, em setembro, mas a chance de migrar passa a ser pequena", disse Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).
Já o café enfrenta excesso de produção e não há perspectivas de que os preços se recuperem em curto prazo. O preço da saca de 60 quilos, que chegou a ser de R$ 550 no início de anos anteriores, atualmente não chega a R$ 390.
Tanto que, no sábado (27), a secretária da Agricultura de Minas Gerais, Ana Maria Soares Valentini, pediu à ministra Teresa Cristina (Agricultura) que ajude o estado a enfrentar a crise no setor.
"Mais de 500 municípios mineiros têm a cafeicultura como principal atividade econômica e os baixos preços de mercado têm colocado nossos produtores, especialmente nossos pequenos produtores, em grande situação de dificuldade econômica. Confio na sensibilidade da nossa querida ministra para nos auxiliar", disse.
Já a citricultura ainda não sabe ao certo como será 2019 -aguarda a divulgação da previsão de safra do Fundecitrus, em maio-, mas projeta investimentos devido ao retrospecto recente. "O setor deve investir, porque os últimos três anos foram bons para a citricultura", disse o diretor-executivo da CitrusBR (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos), Ibiapaba Netto.
A citricultura tem como característica usar tratores pequenos, o que significa que a Agrishow poderá ser importante para quem busca renovar seu parque de máquinas.
Na avaliação de João Carlos Marchesan, presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), uma das realizadoras da Agrishow, o país vive no geral um momento positivo na economia do agronegócio e isso se refletirá nos negócios da feira.
A Agrishow é realizada em uma área de exposição de 21,5 alqueires, o equivalente a 72,8 campos de futebol padrão Fifa. O evento agrícola projeta reunir mais de 150 mil pessoas, entre eles estrangeiros de 80 países.