Dólar passa a cair com fala de diretor do BC, após superar R$4 no começo do pregão

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O dólar tinha firme queda ante o real no fim da manhã desta quinta-feira, chegando a ceder à casa de 3,95 reais após mais cedo superar a barreira psicológica dos 4 reais, na sequência da disparada da véspera.

O real tinha o melhor desempenho entre 33 pares do dólar nesta sessão. Na quarta-feira, a moeda brasileira havia ocupado a vice-liderança nas perdas, com o dólar fechando no maior patamar em quase sete meses.

Às 12:23, o dólar recuava 0,64 por cento, a 3,9607 reais na venda

Na B3, a referência do dólar futuro cedia 0,68 por cento, a 3,9670 reais.

Na máxima desta sessão, a moeda norte-americana foi aos 4,0071 reais. Mas em seguida entrou em trajetória descendente e, por volta de 12h, bateu a mínima do dia, a 3,9529 reais, queda de 0,84 por cento.

Segundo profissionais, o mercado acelerou as vendas de moeda após fala do diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra Fernandes. Em evento em São Paulo, Fernandes disse que a autoridade monetária não tem "preconceitos" em relação ao uso de qualquer instrumento cambial e deu destaque à possibilidade da oferta de linhas.

Os comentários do diretor ocorreram em meio à escalada do dólar para os 4 reais e deixaram no mercado a impressão de que o BC pode estar incomodado com esse nível diante do atual contexto.

"A fala do Bruno provocou 'stop' dos comprados", disse um gestor de um fundo na capital paulista. "Afinal, o dólar está em 4 reais e o diretor está falando que o BC não tem tabu em intervir."

Nesta semana, o BC anunciou de forma antecipada que começará em 2 de maio as rolagens de contratos de swap cambial com vencimento em julho. A autarquia ressalvou que os montantes a serem ofertados poderão ser revistos "sempre que necessário".

E o BC seguiu nesta quinta-feira com rolagens dos swaps vincendos no início de maio, com venda integral dos 5.350 contratos disponibilizados. Em 18 leilões neste mês, o BC já vendeu 4,815 bilhões de dólares nesses ativos. O lote a expirar em 2 de maio é de 5,343 bilhões de dólares. (Por José de Castro; Edição de Laís Martins)