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Economia

Especialista dá dicas para 3º setor atender exigências do governo

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Comprovar o impacto e retorno do investimento social. Dedicar bastante atenção à transparência e à governança. Buscar editais privados e internacionais. Investir em marketing digital. Verificar a possibilidade de estender-se para o setor 2.5.
Essas são cinco dicas para as organizações da sociedade civil, feitas pela diretora-executiva da Ink Inspira, Carla Damião. A organização é especialista em gestão de projetos e parceira do Prêmio Empreendedor Social.
Segundo ela, essas orientações podem ser seguidas para que o setor esteja preparado para as exigências do governo de Jair Bolsonaro. A diretora-executiva já havia abordado, em entrevista para a Folha em fevereiro, algumas das expectativas de mudanças na gestão.

CONHEÇA AS DICAS DADAS:
1) COMPROVAR SEU IMPACTO E RETORNO DO INVESTIMENTO SOCIAL
A diretora-executiva da Ink Inspira afirmou que é importante se resguardar sobre qualquer movimento que possa descredibilizar o trabalho das organizações sociais. "A avaliação de impacto bem elaborada e feita de forma ex-post (por terceiros) tem o peso de uma auditoria e ainda se torna um importante documento para o planejamento estratégico do terceiro setor", aponta.
"A Avaliação de Impacto Social visa demonstrar os resultados e o retorno do investimento aportado aos projetos. Em outubro de 2018, saiu oficialmente uma cartilha da Controladoria Geral da União com as boas práticas esperadas para a avaliação de impacto. Esse e outros sinais demonstram uma tendência do governo", continua
2) BASTANTE ATENÇÃO À TRANSPARÊNCIA E GOVERNANÇA
Ela destacou que, com foco na proteção e credibilidade, não podem ser esquecidas as questões da transparência e da boa governança.
"Por usarem recursos públicos a OSCs devem sempre seguir princípios como legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, próprios da administração pública e previstos na Constituição", afirma.
"Como a responsabilidade pela fiscalização é do poder público, é importante que organizações que nunca foram fiscalizadas fiquem atentas e se adéquem à normativa. A fiscalização é feita por uma comissão fiscalizadora que deve emitir um relatório de avaliação do serviço prestado pela organização social."
Conforme Carla Damião, "se tiver indícios fundados de má administração de bens ou dinheiro público, os responsáveis pela fiscalização podem pedir o bloqueio dos bens da entidade e o sequestro dos bens dos seus dirigentes".
Ela também orienta que se a organização não se sentir capaz de fazer essa análise, ela deve buscar uma consultoria que possa ajudá-la a fazer um diagnóstico da situação atual. "Apontando os gaps e auxiliando a organização a colocar tudo em dia. A Ink Inspira também faz essa consultoria, chamada 'diagnóstico organizacional' ".
3) BUSCAR EDITAIS PRIVADOS E INTERNACIONAIS
Outro ponto destacado pela diretora-executiva é não depender apenas de uma fonte de recursos. "Mas para as organizações que se desenvolveram através de editais públicos é uma boa dica começar a buscar editais de empresas privadas e até editais internacionais."
"Editais privados são fornecidos pela iniciativa privada - com ou sem fins lucrativos. Neles, os repasses de recursos financeiros vêm de empresas e organizações da sociedade civil, como associações, fundações, institutos e agências de cooperação internacional. Os financiadores internacionais podem ter várias origens: são agências governamentais de países desenvolvidos, agências da ONU, ONGs, de pequenas a grandes, que financiam projetos no mundo todo. Nesse caso, há desde a Fundação Bill & Melinda Gatesao Fundo Guarda-Chuva Vermelho (Red Umbrella Fund)."
4) INVESTIR EM MARKETING DIGITAL
Carla Damião aponta que uma boa imagem é sempre bem-vinda, principalmente em tempo difíceis e que o marketing social pode ajudar a organização a se fortalecer, a trazer novos investidores, a ganhar a simpatia do público e até mesmo a aumentar seu leque de receitas.
"O conceito de marketing de causa ainda está muito relacionado às empresas que usam essa estratégia para ampliar suas vendas enquanto contribuírem para uma causa social, porém, o marketing de causa e suas ferramentas podem contribuir muito para a mobilização de recursos das OSCs. Já existem diversas ações de marketing digital que visam fortalecer a sustentabilidade financeira das organizações do terceiro setor através de programas de doação e eventos com fins de captação."
5) VERIFICAR POSSIBILIDADE DE EXTENSÃO PARA O SETOR 2.5
Segundo a diretora-executiva da Ink Inspira, para as organizações que possuem algum tipo de produto ou serviço que já é ou poderia ser comercializado, uma boa opção é começar a estudar o setor 2.5, como forma complementar de renda.
"A ideia não é 'trocar de CNPJ', mas abrir uma empresa complementar que poderia, como finalidade principal do negócio, ser a principal doadora da organização. A ideia é poder cobrar preços mais competitivos ampliando a margem de receita que será revertida para a OSC. Para iniciar esse processo é importante iniciar um plano de negócios e compreender a viabilidade e sustentabilidade do modelo. Caso exista possibilidade de ganho e equipe preparada para atuar, a nova empresa pode se tornar um braço essencial da organização que funciona como sua aliada na captação de recursos."