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Tribunal aceita libertar Ghosn

Ex-presidente da Nissan, Renault e Mitsubishi, brasileiro pagará fiança de R$ 33,8 milhões e deve deixar prisão hoje

Eric Piermont/AFP -
O brasileiro Carlos Ghosn nega todas as acusações e garante que foi vítima de uma trama
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TÓQUIO - A Corte do Distrito de Tóquio aprovou ontem a libertação do brasileiro de origem libanesa Carlos Ghosn, ex-presidente executivo da Nissan, da Renault e da Mitsubishi, mediante o pagamento de uma fiança de 1 bilhão de ienes (R$ 33,8 milões na cotação de ontem). O tribunal rejeitou o recurso apresentado pela Promotoria e confirmou a liberdade, que deverá ocorrer hoje.

O advogado de Ghosn, Junichiro Hironaka, disse à imprensa que, devido ao horário de fechamento dos bancos, não foi possível levantar a quantia necessária ontem, o que será feito hoje. Ele informou que a ordem do tribunal inclui limites para o uso de computador e smartphone por Ghosn, para que ele não possa se comunicar com pessoas no exterior. O advogado havia dito na segunda-feira que o último pedido de fiança de Ghosn também incluía monitoramento por câmeras de vigilância.

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O brasileiro Carlos Ghosn nega todas as acusações e garante que foi vítima de uma trama (Foto: Eric Piermont/AFP)

Ghosn já teve pedidos de fiança negados por duas vezes. Os promotores argumentaram que o brasileiro poderia adulterar provas ou fugir do Japão se libertado sob fiança. Mas a decisão da Corte de Tóquio que liberta o executivo inclui a determinação para que ele permaneça no Japão.

Outro ex-executivo da Nissan preso com Ghosn, Greg Kelly, foi libertado no Natal, depois de uma apelação dos promotores ter falhado no tribunal de Tóquio. A promotoria acusa Ghosn e Kelly de fraude de mais de US$ 80 milhões em pagamentos ao ex-presidente da Nissan não contabilizados nos relatórios financeiros da empresa. Ambos negam a acusação.

Ghosn também é acusado de fazer com que a Nissan pague a um empresário saudita que o ajudou com um problema financeiro pessoal. Ele também nega. A família de Ghosn tem procurado aumentar a pressão internacional sobre o Japão.

Na segunda-feira, François Zimeray, um advogado da família em Paris, disse que registrou uma queixa junto à ONU, alegando que a detenção do ex-presidente da Nissan violava as normas da entidade, bem como a constituição japonesa. Zimeray afirmou que Ghosn estava sendo mantido em condições "duras", dificultando a preparação de uma defesa.

Ghosn diz que foi vítima de uma trama. Ele foi preso em 19 de novembro em Tóquio e já está há mais de 100 dias na prisão.

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ghosn | justiça