Segundo dados de crédito do Sistema Financeiro Nacional divulgados ontem pelo Banco Central, os juros do cheque especial e do rotativo do cartão de crédito começaram 2019 em alta. A taxa do cheque especial subiu 3 pontos percentuais em janeiro frente a dezembro, ao chegar em 315,6% ao ano. Já a taxa média do rotativo do cartão de crédito subiu 1,5 p.p. em relação a dezembro, chegando a 286,9% ao ano.
Divulgadas no dia seguinte à sabatina no Senado do futuro presidente do BC, Roberto Campos Neto, e dos dois diretores que tiveram seus nomes aprovados pelos senadores no Plenário, as estatísticas confirmam o diagnóstico do futuro diretor de Política Monetária, Bruno Serra Fernandes, de que "os juros dos cheques especial e do cartão de crédito rotativo são os grandes problemas a serem atacados".
As regras do cheque especial mudaram em 2018. Os clientes que usam mais de 15% do limite do cheque por 30 dias seguidos passaram a receber do banco oferta de parcelamento, com juros menores. A taxa média do cartão é formada com base nos dados de consumidores adimplentes e inadimplentes. Para o consumidor adimplente, que paga pelo menos o valor mínimo da fatura do cartão em dia, a taxa chegou a 263,1% a.a. em janeiro, com redução de 4,9 p.p. em relação a dezembro. A taxa cobrada dos consumidores que não pagaram ou atrasaram o pagamento mínimo da fatura (rotativo não regular) subiu 5,2 pontos percentuais de dezembro para janeiro ao ficar em 302,9% a.a.
Em abril de 2018, o Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu que clientes inadimplentes no rotativo do cartão passem a pagar a mesma taxa de juros dos consumidores regulares. A regra entrou em vigor em junho. Mesmo assim, a taxa final cobrada de adimplentes e inadimplentes não é igual porque os bancos podem acrescentar à cobrança os juros pelo atraso e multa.
Modalidades caras
As taxas do cheque especial e do rotativo do cartão são as mais caras entre as linhas oferecidas pelos bancos. A do crédito pessoal, por exemplo, ficou em 116,5% a.a. em janeiro, com redução de 3 p.p. frente a dezembro. A taxa do crédito consignado (com desconto em folha de pagamento) permaneceu em 24,2% a.a. A taxa média de juros para as famílias subiu 2,5 p.p. para 51,4% a.a. A taxa média das empresas subiu 1,4 p.p., para 20,2% a.a.
A inadimplência do crédito, considerados atrasos acima de 90 dias, para pessoas físicas, permaneceu em 4,8%. Nas pessoas jurídicas, houve aumento de 0,2 p.p. para 2,9%, no crédito livre. O spread bancário referente às contratações totais do mês atingiu 18,6 p.p., aumento de 1,6 p.p. no mês e redução de 1,1 p.p. em 12 meses. As concessões de crédito somaram R$305 bilhões em janeiro, com retração de 15% no mês, redução de 26,9% nas operações para pessoas jurídicas e de 4,1% para pessoas físicas, mesmo com dois dias úteis a mais que em dezembro. Nas demais bases de comparação, as concessões totais e livres cresceram para famílias e empresas. Em bases dessazonalizadas, as concessões totais cresceram 0,5% no mês; 1,6% em pessoas físicas e ficaram estáveis em empresas.