Brexit: nova consulta no horizonte

Líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, pressionará por um novo referendo para exigir união aduaneira com UE

O Partido Trabalhista do Reino Unido, hoje na oposição à premiê Theresa May, apoiará uma emenda que propõe convocar um segundo referendo para impedir o Brexit do Partido Conservador, como informou, ontem líder dos trabalhistas, Jeremy Corbyn. Até então, ele se opunha a uma nova votação e vinha sendo duramente questionado pelas alas mais à esquerda do partido.

Os trabalhistas apresentarão uma emenda para exigir a manutenção do Reino Unido dentro de uma união aduaneira com a União Europeia (UE) após o Brexit. Se esta emenda for rejeitada, apresentará outra em que solicitará um segundo referendo, de acordo com o que Corbyn deve anunciar tão logo aos parlamentares da legenda, informou em comunicado.

Macaque in the trees
Opposition Labour party leader Jeremy Corbyn gestures waits to address a rally on February 23, 2019, in Broxtowe, central England, where former Conservative member of parliament, Anna Soubry has recently resigned to join an Independent Group of MPs. (Photo by Oli SCARFF / AFP) (Foto: OLI SCARFF AFP)

A medida agrada à União Europeia. Ontem, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, também disse que um prazo adicional para o Brexit além da data oficial de 29 de março seria uma solução "razoável" para Londres.

"Penso que, dada a situação em que nos encontramos, um prazo adicional seria uma solução razoável", afirmou Tusk, em entrevista coletiva em Sharm el Sheikh (Egito), onde acontece a primeira cúpula de chefes de Estado da Liga Árabe (LA) e da União Europeia (UE). Mas "a primeira-ministra (britânica, Theresa) May ainda acredita que pode evitar esse cenário", acrescentou.

May, que adiou para 12 de março uma votação no Parlamento britânico sobre o acordo do Brexit inicialmente prevista para esta semana, quer mais tempo para tentar renegociar o texto com Bruxelas antes do prazo definido incialmente, de 29 de março. Ela também participa da cúpula de Sharm el-Sheikh, onde discutiu o assunto com seus parceiros europeus, inclusive Tusk e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. Perguntado sobre a situação do Brexit em coletiva de imprensa, Juncker limitou-se a dizer: "estamos fazendo bons progressos".

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Até então, Corbyn era contra uma nova consulta, o que foi apontado pelas alas mais à esquerda dos trabalhistas como linha de apoio a Theresa May (Foto: Mohamed El-Shahed/AFP)

EUA seguirá parceiro

Reino Unido e Estados Unidos continuarão cooperando nos mercados de produtos derivados, seja qual for o resultado do Brexit, anunciaram, ontem, o Banco da Inglaterra e os órgãos reguladores de ambos os países.

O objetivo do acordo é "tranquilizar os mercados de derivados sobre o fato de que a atividade continuará funcionando tão simplesmente como até agora, seja qual for a forma do Brexit", disse o governador do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) Mark Carney em coletiva de imprensa.

Os dois países são os maiores mercados para produtos derivados no mundo - essenciais para o funcionamento da economia e para a gestão de riscos, quer de pensões, contratos de seguros, empréstimos aos consumidores e créditos imobiliários. Os intercâmbios de derivados representam aproximadamente US$ 1,2 trilhão por dia em cada um dos dois mercados, o americano e o britânico.

"Os produtos derivados podem parecer distantes do dia a dia das famílias e empresas, mas são essenciais para que todos possam poupar e investir com total confiança", disse Carney em comunicado. O acordo foi alcançado pelo BoE, supervisor financeiro britânico, pela Financial Conduct Authority (FCA) e pela autoridade americana de regulação de mercados a prazo e de produtos derivados, a Commodity Futures Trading Commission (CTFC).

 



Opposition Labour party leader Jeremy Corbyn gestures waits to address a rally on February 23, 2019, in Broxtowe, central England, where former Conservative member of parliament, Anna Soubry has recently resigned to join an Independent Group of MPs. (Photo by Oli SCARFF / AFP)
Até então, Corbyn era contra uma nova consulta, o que foi apontado pelas alas mais à esquerda dos trabalhistas como linha de apoio a Theresa May