Prejuízo derruba Kraft Heinz

Ações caem 27% em Wall Street e empresa de brasileiros e americano perde US$ 16,1 bi de valor de mercado

As ações da gigante americana Kraft Heinz, empresa controlada pelo brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira e pelo megainvestidor Warren Buffett, caíram 27,46% ontem na Bolsa de Nova York, depois que a empresa divulgou um balanço ruim e uma série de notícias negativas. Os sombrios resultados e previsões da companhia refletem mudanças nas tendências de consumo de alimentos processados para alternativas mais saudáveis.

A queda no after market significou uma perda de US$ 16,13 bilhões de valor de mercado da Kraft Heinz e deixou suas ações sendo negociadas no ponto mais baixo desde que em 2015 a Heinz - do famoso ketchup - comprou a Kraft Foods - do cream cheese Philadelphia - para criar a quinta maior empresa de alimentos e bebidas do mundo. Dois anos antes, Lemann, Telles e Sicupira (gestora 3G Capital) e Bufett (Berkshire Hathaway) haviam adquirido a Heinz. Os brasileiros estão no mercado americano desde 2010, quando compraram a cadeia de fast foods Burger King.

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Jorge Paulo Lemann (Foto: Reprodução de video)

Investigação da SEC

A divisão de compras da Kraft Heinz está sob investigação da Securities and Exchange Commission (SEC), que autuou a empresa em US$ 25 milhões por não ter declarado custos com ingredientes e outras despesas no balanço. A Kraft teve prejuízo de US$ 12,6 bilhões no quarto trimestre de 2018, contra um lucro de quase US$ 8 bilhões em igual período de 2017. Ela lucrou US$ 0,84 por ação em uma base ajustada, abaixo das estimativas de US$ 0,94 de Wall Street, segundo o IBES de Refinitiv.

A empresa, que concorre com a General Mills e Kellogg, cortou seu dividendo trimestral de US$ 0,63 por ação para US$ 0,40 por ação. As vendas líquidas de US$ 6,89 bilhões ficaram aquém das estimativas dos analistas de US$ 6,94 bilhões no trimestre divulgado.

A companhia anunciou uma baixa contábil de US$ 15,4 bilhões, o que indica um declínio nas fortunas das marcas icônicas Kraft e Oscar Mayer e outras perdas no valor dos ativos, significando que ela vê esses ativos como menos valiosos do que antes da fusão.

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Warren Buffett, megainvestidor dono da Berkshire Hathaway (Foto: Fotos: reprodução de vídeo)

"Os resultados da Kraft Heinz confirmaram todos os nossos piores medos - até mais do que isso", disse Laurent Grandet, analista da Guggenheim Partners, em nota. "Esperamos dar um passo para trás em 2019", disse o diretor financeiro da Kraft, David Knopf, a analistas em teleconferência pós divulgação do resultado, prometendo "crescimento consistente de lucro" a partir de 2020.

A Kraft, também dona das marcas de queijo Velveeta, previu lucro ajustado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) entre US$ 6,3 bilhões e US$ 6,5 bilhões em 2019, abaixo das estimativas dos analistas de US$ 7,47 bilhões, segundo dados do IBES da Refinitiv.

Na teleconferência com analistas após divulgação dos resultados, o presidente-executivo, Bernardo Hees, disse que toda a indústria de alimentos embalados provavelmente continuará a ser desafiada, culpando a crescente popularidade das marcas próprias e os altos custos das commodities.

"A Kraft Heinz está em uma posição pior do que muitas outras empresas de bens de consumo embalados porque tem um portfólio de marcas muito fraco. Eles não estão entregando o nível de crescimento necessário nesse tipo de mercado", disse o diretor da GlobalData Retail, Neil Saunders.

 



Jorge Paulo Lemann
Warren Buffett, megainvestidor dono da Berkshire Hathaway