Crivella pede a Guedes mais verbas para o Rio

Brasília - Após encontro ontem com Paulo Guedes, no ministério da Economia, o prefeito do Rio, Marcello Crivella, disse que o governo deve fazer alguns ajustes no projeto da reforma da Previdência ao tramitar no Congresso.

Crivella revelou que o ministro mostrou-se favorável à ideia de que seja repassado um valor maior de recursos aos municípios que fizerem esforço para controlar seus gastos.

"Ele disse que o governo federal irá contemplar os municípios na proporção de seu ajuste fiscal, ou seja, quem cortou custeio e aumentou a receita terá ajuda do governo federal", adiantou.

Crivella acrescentou que cidade do Rio de Janeiro gera, por ano, o recolhimento de R$ 160 bilhões em impostos federais. "Quanto volta para a cidade? Voltam R$ 4 bilhões ou R$ 5 bilhões, que são os recursos do Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação] e os recursos do SUS", queixou-se.

Justiça fiscal

O prefeito carioca disse que é preciso "justiça fiscal" na proporção dos esforços feitos pelos municípios. "Tenho 11 mil quilômetros de ruas e avenidas que precisam de reparação, tenho todos os rios e lagoas do Rio de Janeiro poluídos, todos os morros da minha cidade com a violência anômica [assaltos, agressões, homicídios], falta saneamento, falta emprego. Até quando o Rio vai resistir em mandar R$ 160 bilhões para Brasília e receber só R$ 5 bilhões?"

Prós e contra da reforma

Crivella, eleito pelo Partido Republicano Brasileiro, que faz parte da bancada aliada na Câmara, com 30 deputados ligados à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), da qual é bispo licenciado desde quando foi eleito senador, acha que "todo o Brasil aprova a reforma em dois aspectos: é preciso trabalhar mais para se aposentar, porque estamos vivendo mais; e quem ganha mais contribui mais, quem ganha menos, contribui menos".

Entretanto, para o prefeito, o pagamento do Benefício de Prestação Continuada (BPC) somente aos 70 anos "não é adequado". "Tenho certeza que o Congresso vai preservar os idosos e as pessoas com deficiência. Achei 70 anos uma idade muito avançada", ressaltou.