Produção de soja deve cair 3,3% em 2019

Queda prevista pela Conab ocorreria mesmo com a área de plantio tendo aumentado 1,9%

Estudo divulgado ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta para uma redução da produção de soja de 3,3% na safra 2018/19, embora a área de plantio da leguminosa tenha aumentado 1,9%. No total, estima-se que o volume produzido seja de 115,3 milhões de toneladas do produto. Já a produção total de grãos deve chegar a 234,1 milhões de toneladas, volume 2,8% maior do que a safra passada, conforme o levantamento da Conab.

"Em relação ao último levantamento, a gente está diminuindo a previsão em 3,9 milhões de toneladas de soja. A soja foi plantada cedo, este ano, isso é uma coisa boa. Começou a chover cedo na maior parte das regiões e a soja foi plantada. Chegou em dezembro, janeiro, muitas lavouras estavam em seu momento reprodutivo. Então, isso causa um decréscimo na produtividade. Por outro lado, como foi plantada muito cedo, houve espaço para se plantar algodão e agora está se plantando milho", explicou o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Eduardo Sampaio.

Macaque in the trees
Conab estima em 115,3 milhões de toneladas o volume produzido de soja na safra 2018/19 (Foto: Divulgação)

Segundo a Conab, a cultura que mais colaborou para a expansão das 6,5 milhões de toneladas extras foi o algodão, que deverá fechar o período com aumento de 27,9% na produção (3,8 milhões de toneladas) e 33% na área de cultivo (1,6 milhão de hectares).

Na outra ponta, encontra-se, com o pior desempenho, o feijão. A estimativa nacional de área semeada com feijão, nesta primeira safra, é de 941,9 mil hectares, redução de 10,6% em relação à temporada passada.

"Quanto ao feijão, é um comportamento muito comum. A gente colhe pouco. Quando tem uma quebra de safra, não tem de onde importar, porque os feijões consumidos no mundo, a gente não consome aqui e não adianta importar, porque não teria consumo. Quando tem uma safra um pouco maior, o preço cai muito. Você não tem um mercado internacional como tem para milho e soja. A flutuação de preço é muito elevada. Este ano, o feijão ficou muito caro porque teve uma quebra importante na primeira safra", acrescentou Sampaio.

O milho primeira safra também perdeu em produção, atingindo 26,5 milhões de toneladas, e em área, encurtada em 1,2% do seu total. Quando considerada a segunda safra, porém, a produção esperada do cereal é de 91,7 milhões de toneladas, 13,6% a mais do que em 2017/2018.

IBGE

O quarto prognóstico para a safra brasileira preparado pelo IBGE em janeiro deste ano aponta que a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas deve fechar 2019 com alta de 1,9% em relação à safra do ano passado. A previsão é que o país produza 230,7 milhões de toneladas de grãos neste ano, ou 4,2 milhões a mais que no período anterior. Apesar da alta prevista, a estimativa é 1,2% inferior ao terceiro prognóstico, realizado em dezembro de 2018, quando o IBGE estimou safra de 233,4 milhões de toneladas

A redução da previsão do terceiro para o quarto prognóstico foi provocada principalmente por uma revisão da produção da soja. De um mês para outro, o IBGE previu a redução de 3,4% na safra da soja, que agora deve fechar o ano com produção 2,6% menor do que a do ano passado, apesar de um aumento de 2% na área colhida.

 

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade.
Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.
Saiba mais