Uma missão diplomática de alto nível dos Estados Unidos se reunirá na semana que vem com outra da China em Pequim para continuar a negociar o fim da guerra tarifária entre as duas potências, informou a Casa Branca. De acordo com a agência de notícias “Reuters”, os negociadores norte-americanos pressionarão a China sobre antigas exigências na forma como o país trata a propriedade intelectual de empresas norte-americanas. Esta seria condição impiortante para se chegar a um acordo comercialfavorável a ambas as partes. A nova tentativa se une a várias outras que não tiveram sucesso. A última rodada de conversas aconteceu em Washington, na semana passada, e não trouxe consensos.
As próximas discussões serão realizadas na próxima quinta e sexta-feira - duas semanas antes de expirar a trégua de 90 dias, após a qual os EUA poderiam elevar ainda mais as tarifas impostas aos produtos chineses importados, hoje em valores estimados de US$ 200 bilhões. Caso não se chegue a um acordo, é possível que os impostos saltem de 10% para 25%.
Amanhã autoridades de menor importância dos dois países já se encontrarão. Do lado os EUA, esse reconhecimento será liderado pelo vice-representante de Comércio do país, Jeffrey Gerrish. A ideia é criar um espaço de discussão anterior às conversas decisivas do fim da semana.
A delegação será liderada pelo representante comercial americano, Robert Lighthizer e o secretário do Tesouro Steven Mnuchin e irá incluir David Malpass, informou a Casa Branca. Malpass foi indicado pelo presidente Donald Trump como candidato à presidência do Banco Mundial. O grande oponente da China, Peter Navarro, não está na lista de membros da missão.
Lighthizer tem defendido pressionar a China a realizar reformas e encerrar o que os Estados Unidos entendem como práticas injustas de roubo de propriedade intelectual e a obrigação de que empresas norte-americanas compartilhem suas tecnologias com as chinesas. A China nega. “Os Estados Unidos são um grande produtor de tecnologia, inovação, know-how e segredos comerciais. Temos de operar em ambiente no qual essas coisas estejam protegidas”, disse Lighthizer na semana passada, após as conversas ocorridas em Washington.
Após essas reuniões, autoridades americanas disseram que estavam otimistas sobre a possibilidade de chegar a um acordo antes do prazo final de 1 de março. Mas comentários mais recentes semearam dúvidas e renovaram o temor de que a disputa comercial sino-americana não só afete os dois países, mas também a economia mundial. Trump disse, na semana passada, que não planeja se reunir com seu colega chinês Xi Jinping antes de 1º de março.
O Ministério do Comércio da China informou ontem, em comunicado, que os dois países terão discussões “mais profundas sobre temas de preocupação conjunta” com base no que foi discutido em Washington, sem dar grandes detalhes sobre tais temas. Cui Tiankai, embaixador chinês nos EUA, disse em Michigan, por meio da agência de notícias oficial Xinhua, que um método de “jogo de soma zero” não é construtivo para os laços entre as nações envolvidas. Para ele, empresas os dois países devem competir e cooperar com as outras. “A história real dos negócios não é tão preto no branco”, declarou.