O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou à GloboNews, na noite de quarta-feira,que a reforma da Previdência tem prioridade no plenário da Câmara em relação ao projeto anticrime, apresentado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro esta semana. Para Maia, os dois temas podem tramitar conjuntamente nas comissões, mas quando chegarem para votação final, a Previdência terá preferência.
- O prazo desse debate (do projeto de Moro) tem que ser mais longo do que o prazo da reforma da Previdência. Então, se nós anteciparmos debate do projeto do ministro Moro ele pode contaminar o plenário na reforma da Previdência, explicou. Maia afirmou ainda que essa é a “última” chance de o Congresso Nacional aprovar a reforma da Previdência sem tirar direitos da população. Ele admitiu ainda que, caso o presidente Bolsonaro venha a declarar que não pretende se candidatar à reeleição, isso pode contribuir para a aprovação da reforma.
Moro reconhece a prioridade
Em São Paulo, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, reconheceu ontem que a prioridade do governo do presidente Jair Bolsonaro é a reforma da Previdência. Para Moro, o projeto de lei anticrime pode tramitar no Congresso em paralelo às mudanças na aposentadoria. “Não vejo como o projeto anticrime contaminar a Previdência”, disse o ministro. “Os dois projetos podem ser tratados em paralelo. Isso apenas demonstra o empenho do governo do presidente Jair Bolsonaro em tratar estas duas questões que são as principais que afligem a população brasileira.” De acordo com Moro, o projeto anticrime será analisado por Bolsonaro quando ele receber alta médica.
Para o presidente da Câmara, ainda na entrevista à GloboNews, o grande desafio da reforma da Previdência não será a construção do texto, mas sim evitar a contaminação do debate por “falsas notícias”. O presidente da Câmara repetiu que não vê problemas no “mérito” da proposta e destacou que o governo precisará se precaver, dialogando com a sociedade, para que o debate não seja dominado por interesses de corporações, como ocorreu com a tentativa de reforma previdenciária pelo ex-presidente Temer.
“Aqueles que não querem perder o beneficio começam a inventar, criar falsas informações”, disse. Na entrevista, Maia evitou comentar sobre pontos do texto que será apresentado pela equipe econômica ao presidente Jair Bolsonaro e também sobre a economia de R$ 1 trilhão em até 15 anos almejada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.
Bolsonaro decide
Ontem, em Brasília, em conversa com jornalistas, o ministro Paulo Guedes afirmou que será o presidente Jair Bolsonaro quem vai decidir se o novo o novo regime de capitalização para a Previdência “vem agora ou vem depois”. Guedes afirmou que o lugar da equipe econômica é simplesmente de formular e reiterou que a proposta de emenda à Constituição não mexerá em regras trabalhistas, mas abrirá a porta para que esses temas sejam trabalhados à frente.
Mercado reage
A frustração com a demora na tramitação da reforma da Previdência, pela apresentação de novo Projeto de Emenda Complementar, em vez da reforma de Temer que já tramitava na Câmara, provocou nova baixa de 0,24% no Ibovespa, que fechou ontem a 94.405,59 pontos. Quarta-feira, o índice já tinha desabado 3,74%. Desde o pico de 98.588,63 pontos de segunda-feira, quando a alta de Bolsonaro foi adiada, o mercado esfriou e acumula queda de 4,24%. Ontem, o índice chegou a subir mais de 1%, mas cedeu com a notícia de que o presidente apresenta um quadro de pneumonia leve, precipitando as ordens de venda de ações. A agência de classificação de risco Standard & Poor’s divulgou a decisão de manter o rating do Brasil em BB-, com perspectiva estável, mas que pode subir em dois anos, se a reforma gerar ráída melhora fiscal e no PIB.