Dólar fecha estável na espera por eleição no Congresso, mas cai 2,78% na semana

Na expectativa pela definição dos presidentes da Câmara e do Senado, o dólar fechou a sessão desta sexta-feira, 1, perto da estabilidade, a R$ 3,6580 (-0,03%). Na semana, porém, a moeda teve queda de 2,78%, a maior desde os cinco dias finais de 2018, quando recuou 4,06%. Pela manhã, a moeda americana ficou volátil e pela tarde operou relativamente estável, segundo operadores, em meio ao clima de cautela antes de se saber os nomes dos dirigentes do Congresso, que só devem ser conhecidos na noite desta sexta-feira.

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Dólar (Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil)

Ao menos para a presidência da Câmara, a expectativa é que a eleição não tenha surpresas e Rodrigo Maia (DEM-RJ) seja reeleito. Para o Senado, a expectativa é de eleição de Renan Calheiros (MDB-AL), mas uma articulação contra a candidatura dele ganhou força. Na dúvida sobre o cenário final para o Congresso, operadores destacam que os investidores preferiram não ficar muito expostos a riscos. O comportamento misto do dólar no exterior nesta sexta-feira, dia com divulgação de vários indicadores, também contribuiu para a falta de tendência firme da moeda aqui.

O Bank of America Merrill Lynch afirmou permanecer otimista com o real, na medida em que a moeda deve continuar se apreciando em meio a um ambiente favorável tanto local quanto no exterior. "No mercado doméstico, progressos nas reformas devem remover prêmios de riscos adicionais e fortalecer a moeda", afirma relatório nesta sexta-feira. Um dos alertas que o BofA faz é para o risco de decepção, na medida em que a governabilidade de Jair Bolsonaro ainda está para ser testada. O banco vê o dólar ao redor de R$ 3,60.

Para o economista-chefe da Verde Asset Management, Daniel Leichsenring, a expectativa é que a reforma da Previdência tenha a primeira aprovação na Câmara até junho e o texto deve ter economia fiscal importante, maior que a da proposta de Michel Temer. "São inequívocos os sinais dentro do governo de que vamos caminhar para uma reforma mais robusta, que inclua mais setores e tenda a diminuir os desequilíbrios e privilégios." Contudo, o executivo chama atenção para o fato de que o modelo de governo proposto por Jair Bolsonaro, ou seja, de se distanciar do presidencialismo de coalizão que marcaram os últimos governos, ainda não foi testado, o que abre espaço para incertezas. "É uma ideologia sujeita a chuvas e trovoadas."