Trump relata 'enormes progressos' na negociação comercial com a China

O presidente americano, Donald Trump, disse nesta quinta-feira (31) que foram alcançados "enormes progressos" nas negociações comerciais com a China e celebrou a recepção da "magnífica carta" enviada por seu homólogo chinês, Xi Jinping.

"Alcançamos enormes progressos", disse Trump, embora tenha indicado que ainda não foi agendada uma reunião com seu colega chinês, após alertar durante a manhã que não será selado um acordo final sem um encontro entre ambos.

Na carta, lida por sua delegação no Salão Oval da Casa Branca, Xi disse que as relações estão em uma etapa "crucial".

A agência de notícias oficial da China, Xinhua, afirmou nesta sexta-feira que negociadores americanos e chineses fizeram "progressos importantes".

Os dois lados mantiveram discussões "francas, específicas e frutíferas", disse a agência, citando uma declaração da delegação chinesa.

Trump havia declarado antes que "todo mundo está trabalhando duro" para concluir o acordo antes da data-limite de 1 de março e evitar uma nova escalada do conflito comercial.

Seu um acordo não for alcançado até o prazo estabelecido, os Estados Unidos ameaçam impor tarifas de entre 10% e 25% sobre 200 bilhões de dólares em produtos chineses.

Na reunião com a delegação chinesa, Trump informou que não tinha se falado de "estender a data-limite" e disse a seus negociadores que viajaram à China no começo de fevereiro.

Trump recebeu no Salão Oval o vice-primeiro-ministro Liu He, que comanda a delegação chinesa.

Liu afirmou que a China não deseja um aumento das tarifas alfandegárias no momento em que sua economia desacelera e indicou que todos as disputas comerciais estão na mesa de negociações.

Antes das reuni~ões desta semana, Pequim havia oferecido a retomada da compra de soja, uma das principais exportações dos Estados Unidos, que registraram forte queda durante a guerra comercial.

Nas negociações de quinta-feira com Trump, o vice-premier Liu He disse que a China concordou com uma compra extra de cinco milhões de toneladas de soja por dia.

"Isto vai deixar nossos agricultores felizes", disse Trump a Liu.

Mas a Casa Branca explicou mais tarde que a compra não é diária e que não vou estabelecido um marco temporal.

Segundo a agência de notícias oficial Xinhua, a China concordou em aumentar as importações de bens dos EUA e impulsionar a cooperação na proteção da propriedade intelectual durante as negociações comerciais em Washington.

Os dois lados "deram grande importância às questões de proteção à propriedade intelectual e transferência de tecnologia e concordaram em aprofundar a cooperação", indicou a Xinhua.

A China também concordou em aumentar as importações de "produtos agrícolas dos Estados Unidos, produtos energéticos, produtos manufaturados industriais e produtos de serviços" durante as negociações de quarta-feira e quinta-feira, completou a nota.

Pequim também se comprometeu a aumentar a cooperação em um dos principais pontos de divergência: a proteção da propriedade intelectual e as preocupações sobre a transferência obrigatória de tecnologia.

Mas a agência chinesa não citou o valor das importações ou as medidas concretas que Pequim adotará para proteger a propriedade intelectual.

O negociador chinês é um influente assessor econômico do presidente Xi Jinping e diplomado da prestigiada universidade americana de Harvard, e já liderou a delegação chinesa no ano passado em uma negociação na qual Pequim se mostrou inflexível.

O negociador-chefe americano, Robert Lighthizer, relativizou as expectativas e disse que, embora tenha, acontecido muitos progressos, "ainda resta muito trabalho".

"É impossível que eu prognostique que haverá sucesso (...), mas pode acontecer", afirmou Lighthizer.